Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 05/11/2020

Nas últimas duas décadas, as tecnologias da informação tiveram um grande salto qualitativo, a velocidade de conexão com a internet passou de poucos kilobytes para velocidades superiores a 100 gigabytes por segundo, uma velocidade cem milhões de vezes maior. Contudo, também surgiram  tecnologias de inteligência artificial que manipulam o comportamento dos usuários da internet. Dois exemplo notáveis disso são: o uso do algoritmo do Facebook para manipular seus usuários e o alavancamento de vídeos de divulgação de pseudociência no Youtube.

De início, vale ressaltar que a inteligência artificial, IA, empregada na personalização do feed de notícias do Facebook vem sendo usada para manipular os usuários da rede social. Em 2016, na eleição presidencial estadunidense, conforme revela o documentário “Privacidade Hackeada”, houve manipulação dos eleitores por meio de publicações falsas ou sensacionalistas destinadas a usuários propensos ao engano. Isso colocou em xeque a ética da obtenção de dados através de IA, pois mostrou que os dados não são utilizados apenas para melhorar a rede social.

Além disso, o Youtube, segundo o Intercept Brasil, o algoritmo do site tem o propósito de manter conectado seu usuário pelo maior tempo possível, já que assim ele verá mais anúncios, o que gera renda para os acionistas da empresa. Desse modo, vídeos com conteúdo controverso são mais recomentados pela IA do site, uma vez que o público desse tipo de produção é mais engajado. Consequentemente, são criadas aberrações anacrônicas como os movimentos anti-vacina e terraplanista.

Portanto, para que a problemática seja minorada, é preciso que a venda de dados coletados em redes sociais e sites de vídeos seja proibida. Para tal, as próprias empresas que oferecem o serviço devem, por meio da alteração dos contratos de uso, vetar a venda dos dados cedidos pelos usuários. Por exemplo, registrar em cartório as novas diretrizes de privacidade e estipular multas em caso de quebra de contrato. Dessarte, o uso das IA será mais ético e, por conseguinte, moral.