Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 07/11/2020
O editor australiano Julian Assange, em sua obra Cypherpunks, demonstra como a ascensão tecnológica nas últimas décadas criou um cenário de insegurança e fragilidade nas sociedades pós-moderna. Paralelo a essa realidade, nota-se que a utilização da Inteligência Artificial (IA) sem os devidos limites éticos e morais comprometem a privacidade do usuário, com possíveis evasão de dados, além da ameaça de uma substituição irreversível dos postos de trabalho humano, devido ao Aprendizado de Máquina (ML). Torna-se, assim, cada vez mais preocupante o futuro da humanidade.
Percebe-se, nesse raciocínio, uma noção, quase baconiana, de que conhecimento é poder, isto é, aquele que detém mais informações tem controle dos processos produtivos globais. Em outras palavras, a IA é quem assume esse posto, controlando o maior banco de dados do mundo (Big Data), o que se mostra um risco à privacidade, uma vez que conteúdos pessoais são utilizados sem o consentimento do usuário, como a coleta de dados de milhões de pacientes nos Estados Unidos pela empresa Google sem que eles soubessem. Logo, se por uma lado a humanidade nunca produziu tanta informação na história, por outro, o despreparo na gerencia desses arquivos coloca em xeque a integridade do cidadão.
Ademais, é notável que as transformações laborais integrada a área de atuação computacional pode impedir o desenvolvimento de novos empregos que as circunscrevem. Se anteriormente, a substituição da mão de obra pelo trator no campo abriu espaço para o surgimento de mecânicos ou motoristas do veículo, agora o avanço do setor tecnológico possibilita a própria regulação pela máquina em um processo de aprendizagem com o uso de informações obtidas ou criadas. Assim, o desenvolvimento científico informacional não caminha de forma linear ao progresso, mas pode marginalizar conceitos básicos de liberdade e igualdade caso não haja um quesito moral que permeie seu avanço.
Espera-se, desse modo, uma conduta ética que regularize os limites da Inteligência Artificial a fim de solidificar os direitos da humanidade conforme a tecnologia avança. Decerto, é fundamental tornar o conhecimento da tecnologia de interesse do público por meio da adesão de aulas a grade curricular das escolas e faculdades sobre a IA e os seus desdobramentos. Essa postura deve ser realizada por meio de parcerias entre o Ministério da Educação e startups, sendo esta provedora de profissionais capazes de lecionar e aquela de distribuir e remunerar tal qualificação. Com isso, afirma-se uma política de conhecimento integrado as novas gerações, assegurando a harmonia entre a humanidade as máquinas.