Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 07/11/2020

No filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick, a tecnologia fascina e assusta, pois apesar de o computador “Hal” ser responsável pela gestão da nave espacial, ele torna os humanos reféns de seus comandos. No Brasil contemporâneo, o uso da Inteligência Artificial encontra impasses morais e éticos, uma vez que manipula os indivíduos e aprofunda a dependência tecnológica. Com efeito, verifica-se a necessidade de promover estratégicas de regulamentação do uso dessa tecnologia.

A princípio, convém ressaltar a influência da Inteligência Artificial no controle de usuários. Nesse sentido, o documentário “O Dilema das Redes” expõe como as empresas de redes sociais utilizam os dados das pessoas e, por meio de algoritmos inteligentes, selecionam quais informações serão disponibilizadas. Desse modo, são criadas “bolhas de pensamento” comandadas pela tecnologia, interferindo no pensamento e, por conseguinte, na moral vigente. Em suma, a tomada de decisões deixa de pertencer inteiramente aos homens e passa, então, a ser submetida à vontade das máquinas.

Outrossim, nota-se que a excedente interconexão entre o mundo real e virtual, amplia a submissão à tecnologia inteligente. Nessa lógica, a assistência virtual “Alexa” - robô popularizado no Brasil em 2020 - demonstra que a automatização auxilia na realização de tarefas cotidianas, entretanto, devido ao conforto oferecido, torna as pessoas cada vez mais dependentes do uso. Logo, conforme afirma o sociólogo Manuel Castells, por meio do conceito de “Virtualidade Real”, a ligação entre real e virtual se torna a ética vigorante e, pois, intensifica a necessidade de realização de tarefas com a ajuda de aparelhos digitais.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas com o fito de superar os entraves relacionados à  utilização da Inteligência Artificial. Dessa forma, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, instância máxima da administração dos aspectos tecnológicos do país, crie leis efetivas de regulamentação do uso de dados digitais utilizados para a seleção de informações e automatização de tarefas humanas, para que haja maior autonomia dos brasileiros perante à tecnologia. Nesse viés, tal ação poderá ser realizada mediante um pacote de projetos a serem incluídos no Plano Plurianual - plano de metas a serem seguidas pelo Governo Federal - a saber: políticas de uso de Inteligência Artificial objetivas e que especifiquem o destino dos dados e as consequências do uso. Assim, a população não será surpreendida pelo controle realizado por “Hal” como alerta Stanley Kubrick.