Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 12/11/2020
“O futuro pertence àqueles que se preparam hoje para ele.” A máxima do ativista norte-americano Malcolm X reflete o óbice do uso da inteligência artificial no Brasil hodierno. Tal conjuntura deve-se à exposição da privacidade e, além disso, ao crescimento do desemprego. Destarte, urge, no âmbito atual, a adoção de medidas, por parte do Estado, a fim de reverter as mazelas oriundas desse problema.
É importante pontuar, de início, a falta de privacidade digital como fator corroborante dessa chaga social. Sob tal óptica, a historiadora Lilia Schwarcz, em sua obra “Brasil: uma Biografia”, elucida que embora o Brasil possua uma das mais avançadas legislações do mundo, muito do que se vê nela não se concretiza. Com efeito, apesar de promulgada a Lei Geral de Proteção de Dados, que assegura a privacidade e a proteção de dados pessoais, tal regulamentação não tem êxito, haja vista a falta de fiscalização, como exemplifica o caso da emprega “Google” que admitiu, em 2019, ter escutado e transcrito cerca de 0,2% das conversas dos usuários. Dessa maneira, é fundamental o cumprimento da legislação, tendo em vista a importância atual do uso de dados nas mais diversas aplicações da inteligência artificial.
Concomitantemente, ressalta-se que o crescimento de demissões atua, de forma perniciosa, nesse contexto. Nessa perspectiva, o inventor americano Steve Jobs sempre elucidou que a tecnologia move o mundo. Seguindo essa linha de pensamento, é notório o crescimento da inteligência artificial, na contemporaneidade, principalmente no que diz respeito a automação das máquinas. Contudo, tal desenvolvimento tecnológico acaba por influenciar o número de desempregados, já que nem todos possuem a qualificação adequada para manipular o maquinário, criando, dessa forma, um impasse.
Dado o exposto, fica evidente a iminência em cessar a problemática em questão no País. Portanto, é mister que o Governo invista na proteção digital da população, por meio da criação de órgãos para a fiscalização da legislação existente, com o objetivo de cumprir com proficiência a Constituição. Também, é imperiosa a ação estatal no que tange à capacitação dos trabalhadores para a inteligência artificial, mediante a aplicação de cursos técnicos, com o fito de reinserir essas pessoas no mercado de trabalho especializado. Assim, visa-se ao bem-estar social e ratifica-se o pensamento de Malcolm X no tocante à preparação para o futuro.