Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 19/11/2020
Foi lançado em 2019 o filme “Cópias - de volta à vida”, o qual narra a história de um neurocientista que estuda a inteligência artificial como uma fórmula da imortalidade, entretanto, logo no início da trama, um dos seus experimentos demonstra de forma sofrida o quão horrível é acordar como uma máquina e processar essa realidade, levando-o a destruir seu novo “corpo”. Apesar de parecer ficção, já é uma realidade muito próxima e assustadora, a qual apenas comprova a seriedade que a inteligência artificial traz para o conceito de ética humana ao levar em conta a inexistência de limites impostos aos anseios do homem.
Como resultado disso, o documentário “quanto tempo o tempo tem”, mostra que com os inúmeros avanços neurocientíficos, em conjunto com a inteligência artificial, alcançar a imortalidade tornou-se possível ao guardar informações cerebrais de determinada pessoa em uma espécie de pendrive. Tal realidade está próxima, e com ela deixa-se claro que a parte mais perigosa da inteligência artificial é a própria incapacidade humana de limite, além de questionar até onde a ambição humana é capaz de interferir no futuro das sociedades.
Portanto, o anseio humano em desafiar as causas naturais da vida, somado aos novos conhecimentos tecnológicos citados, geram uma discussão sobre até onde é moralmente correto o intervir da inteligência artificial. Para isso, têm-se a bioética, ramo da filosofia que é responsável por analisar ética e moralmente os avanços científicos relacionados à vida do homem. E esta julga como incorreto qualquer teste em humanos, ou seja, por não ter como trazer uma pessoa de volta a vida sem fazer esta passar por situações emocionalmente desgastantes e até torturantes, como mostrado explicitamente no filme anteriormente citado, tal conquista torna-se imoral pra filosofia.
Em síntese, fica evidente que a inteligência artificial é capaz de proporcionar uma falta limites nas relações humanas, mas que são apenas consequências diretas da ação descuidada do próprio homem. Por isso, cabe à ONU (Organização das Nações Unidas), por meio de acordos com os seus países constituintes, implementar uma lei direcionada para a ciência, a qual será específica para cada um dos governos e obrigará-los a serem acompanhados de perto por um filósofo da bioética, além de, impor uma multa a todos aqueles que descumpram as ordens morais impostas. Para que assim, a inteligência artificial tenha seus limites e o filme de 2019 continue fictício.