Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 18/11/2020
Dilema moral artificial
No filme de ficção científica, “Minority Report”, é apresentado uma sociedade no ano de 2054, em que há um sistema capaz de prever crimes antes que eles aconteçam, o que faz a taxa de assassinatos cair para zero. Entretanto, mesmo sem violência, essa sociedade não é perfeita. Os indivíduos entregaram seu livre arbítrio em troca de segurança, podendo ser acusados por um crime que sequer cometeram, seguindo uma lógica maquiavélica que os fins justificam os meios. Esse futuro distópico visto no filme, não está tão longe da realidade atual. Com o aumento massivo do uso de inteligências artificiais, também chamadas de IAs, que nos escutam e veem constantemente pelos smartphones, câmeras e todo os dispositivos conectados a rede, cedemos nossas informações em troca da melhor rota no trânsito, indicações de músicas e filmes e facilidades no trabalho, confiando em algoritmos para fazer nossas “escolhas”.
O uso de IAs já se tornou parte fundamental da sociedade estando em órgãos do governo, grandes e pequenas empresas e nas casas dos cidadãos, mas pouco se discute sobre a ética e as consequência massiva do uso dessas tecnologias. Essas máquinas são baseadas em dados de comportamento humano, uma amálgama de culturas, ideias e até preconceitos. Em 2018 a empresa Microsoft lançou uma IA, em uma rede social para que ela evoluísse com as informações ali presentes. Todavia, em apenas um dia ela começou a apresentar comportamentos machistas e racistas que eram disseminados na rede,assim tendo que ser desligada.
As IAs não possuem ética e moral, elas são apenas baseadas em estatísticas e as vezes não tomam a decisões mais corretas. No filme “Eu, robô”, Um policial é salvo por um robô, de um afogamento ao invés de uma criança. O robô baseou sua decisão em probabilidades de quem teria mais chances de sobreviver, mesmo o policial preferindo que a criança fosse salva. Esses dilemas também ocorrem na atualidade, carros que se dirigem sozinhos são programados a sempre proteger o motorista não importando o que acontecera com quem estiver do outro lado do acidente.
Portanto, é dever da Comissão de Ética do governo federal com o apoio de empresas privadas a analisarem as consequências do uso massivo de IAs e criarem órgãos reguladores dessas tecnologias, também deve ser exposto em palestras e propagandas na mídia os perigos envolvendo o uso de inteligência artificial sem o controle e filtros éticos e morais. Para que no futuro não tão distante a sociedade não se torne como “Minority Report” perdendo seu poder de decisão em troca de facilidade e segurança.