Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 23/11/2020
No filme “Homem de Ferro”, a personagem Tony Stark é um milionário que utiliza recursos tecnológicos extremamente avançados para combater seus inimigos e manter a paz mundial. Todavia, a forma com que a inteligência artificial é tratada no mundo fictício diferencia-se muito da realidade, especialmente no que diz respeito aos seus aspectos éticos e morais. Logo, cabe analisar como a falta de privacidade e de controle dos usuários contribuem para a problemática.
Primeiramente, é importante ressaltar a carência de privacidade dentro das redes sociais. A respeito disso, no Brasil, foi promulgada a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que garante, principalmente, a segurança das pessoas na internet. Todavia, tais normas são ineptas em amenizar o uso indevido de inteligência artificial, tendo em vista os casos recentes que interferem na privacidade do usuário. Exemplo disso é o da Cambridge Analytica, no qual houve a revelação de informações de mais de 50 milhões de pessoas a fim de usá-las para fazer propaganda política. Desse modo, mecanismos de captação de dados deturpam a moral do cidadão por conta do armazenamento ilegal de informações.
Ademais, a falta de de controle das pessoas frente à tecnologia impulsiona o problema em questão. De fato, a restrição de autonomia diante de dispositivos eletrônicos evidencia o baixo domínio dos internautas sobre seus dados, essa situação pode fazer com que ocorra, por exemplo, a realização de ações sem o consentimento dos indivíduos que utilizam de tecnologia. Nesse contexto, o filósofo Michel Foucault expõe que o poder é um conjunto de relações que produz assimetria e sustenta a autoridade. Assim, a inteligência computacional comporta-se como o detentor de poder que causa desequilíbrio, algo evidenciado pela ausência de controle humano.
Portanto, medidas devem ser tomadas para mitigar as práticas antiéticas da inteligência artificial. Para tanto, é necessário que empresas de tecnologia desenvolvam algoritmos, por meio de plataformas digitais, que notifiquem o usuário antes da utilização de seus dados e solicite autorização para tal tarefa. Com o auxílio de programadores, tal método irá garantir a segurança e autonomia pessoal do usuário diante de mecanismos eletrônicos. Dessa forma, será possível utilizar a inteligência artificial de forma pacífica assim como apresentado no filme “Homem de Ferro”.