Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 25/11/2020
O filme “Ela” retrata a paixão do personagem Theodore pelo seu sistema operacional de computador baseado na inteligência artificial, mostrando a dependência emocional que ele adquiri por um sistema e a perda de consciência da realidade, uma vez que passa a viver uma ilusão construída com a ajuda da tecnologia. Fora da ficção, o uso de inteligência artificial tem ganhado cada vez mais espaço e, consequentemente, tem gerado debates sobre os impasses éticos e morais na sua utilização, visto que essa tecnologia manipula os usuários e falta transparência sobre a sua aplicação.
A priori, vale destacar que um dos principais impasses do uso da inteligência artificial é que esse uso, muitas vezes, é empregado para manipular os usuários. Isso porque ela é uma das principais tecnologias disruptivas da atualidade, tendo o potencial de modificar consideravelmente as escolhas e ações da sociedade. De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, da Netflix, as redes sociais conseguem atingir os consumidores com publicidades, através do uso de tecnologia persuasiva, que baseia-se no uso de design e psicologia para criar o hábito inconsciente no usuário de consumir cada vez mais conteúdos, empregando uma mudança gradativa de comportamento. Nesse viés, as empresas fazem uso dos algoritmos, os quais coletam e analisam as informações dos usuários, a fim de entender os hábitos de compras e fazer recomendações que sejam do interesse deles, disseminando propagandas massivas por meio das plataformas digitais, como o Facebook e Youtube.
Ademais, outro fator que gera impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial é a falta de transparência sobre o seu funcionamento e aplicação. Segundo o filósofo Byung-Chu Han, em seu livro “No Enxame Perspectivas do Digital”, o controle da sociedade atual ocorre através da vigilância total e do acúmulo de dados dos usuários. Dessa forma, essa sociedade digital de vigilância, que tem acesso ao inconsciente coletivo e ao comportamento social, acentua a desconfiança dos usuários nos meios tecnológicos. Nesse contexto, falta um maior esclarecimento sobre a metodologia e os processos de decisões automatizadas, o que corrobora a sensação de insegurança dos usuários nas redes, uma vez que não se sabe quais dados serão coletados nem qual a real finalidade.
Portanto, é necessário medida que reverta os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial. Para isso, urge que o Legislativo crie uma lei que regulamente o uso de inteligência artificial. Essa lei deverá impor as empresas que esclareçam quais dados serão coletados dos usuários e para que finalidade, sendo permitida apenas com o consentimento desses. Além disso, deve constar, também, a regulamentação de publicidades nas redes sociais, para evitar o disparo massivo de propagandas. Dessa forma, o usuário poderá navegar sem receio de ser espionado e manipulado.