Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 24/11/2020
Na obra"O admirável mundo novo",escrita por Aldous Huxley,literato inglês,mostra-se um mundo distópico em que,diferentemente das sociedades anteriores,a inteligência artifical,em conjunto com as técnicas de reprodução em massa,dissocia-se da ética e extrapola os objetivos iniciais ao determinar o futuro da população antes do nascimento.Fora da ficção,sabe-se que os impasses morais do uso de mão de obra inumana são de extrema relevância,seja pela distorção dos benefícios tecnológicos primordiais,seja pela cisão de direitos inalienáveis ao homem.
Em primeira análise,é importante destacar que,concomitante ao desenvolvimento de máquinas industriais ultramodernas,a busca incessante por serviços que apresentem maior desempenho é a origem da mentalidade robótica.Sob essa ótica,nota-se a presença do “fetichismo da mercadoria”,conceito criado por Karl Marx,filósofo alemão,nas relações que tangem à produção repetitiva e padronizada das ações mecanizadas,sobretudo devido à definição de tal axioma como a idealização,por parte dos consumidores,do produto sem analisar o contexto humano envolvido na produção.Dessarte,alienados nas projeções infinitas que o método científico pode alcançar,profissionais de diversas áreas do conhecimento investem e buscam,cada vez mais,projetos desafiadores e divergentes da psiqué humana tradicional.
Consequentemente,em um contexto de grandes planejamentos futurísticos,urge inúmeros imbróglios relacionados à falta de imperativismo categórico,ou seja,de preocupar-se com os possíveis danos causados.Nesse sentido,rompe-se três fundamentos que,para o filósofo contratualista John Locke,são inalienáveis à vida do ser humano no estado social:a vida,afetada na reprodução sistematizada de genes dominantes;a liberdade,dissimulada na possível escolha de como determinada classe comportar-se-á;e a propriedade,rompida no plágio biotecnológico.Outrossim,além das problemáticas de cunho sociopolítico,surgem relações no mercado de trabalho hodierno que vão de encontro à utilização das ferramentas mecanicistas,uma vez que,com a função humana exercida pelas máquinas,o desemprego estrutural atinge a maior parte dos trabalhadores no mundo.
Portanto,em uma conjuntura social que almeja combater grandezas como essa,faz-se necessário não apenas debates,mas ações factíveis que possam amenizá-la.Logo,o Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovações,com o fito de minorar os efeitos antiéticos da má utilização dos recursos desenvolvimentistas,deve criar sanções às empresas que utilizam clonagem humana por biotecnologia,por meio de políticas públicas e ações privadas,estabelecendo cotas anuais de pesquisas artificiais com objetivos pacíficos e fiscalizadas pelos poderes públicos.