Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 24/11/2020

A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, trouxe consigo inovações tecnocientíficas que revolucionaram o mundo capitalista. Entretanto, embora o desenvolvimento tecnológico tenha seus aspectos positivos, ele também tem vertentes perigosas, como o uso da Inteligência Artificial. Nesse sentido, faz-se necessária a análise dos impasses éticos e morais no uso dessa tecnologia.

Em primeiro plano, a falta de limites no emprego dessa tecnologia se caracteriza como um risco à individualidade de cada um na sociedade. Sob essa ótica, é retratado na série “Black Mirror”, em um de seus episódios, a perda do poder de escolha das pessoas sobre com quem se relacionar. Assim, um dispositivo analisa os solteiros e escolhe quem deve ser compatível com quem. Ademais, aonde ir, duração do relacionamento, o que pode fazer, são escolhas da inteligência artificial do aparelho. Dessa forma, é nocivo que a sociedade perca sua autonomia e livre arbítrio.

Outrossim, a negligência do governo em não debater acerca do assunto com a sociedade é preocupante. Sob essa perspectiva, o incremento de tecnologia de ponta é o responsável pelo desemprego estrutural, em que a mão de obra é substituída por máquinas. Tal questão pode gerar revoltas e insatisfação popular, como aconteceu no movimento Ludista, durante a Segunda Revolução Industrial, em que os operários se rebelaram contra o sistema e quebraram várias máquinas. Dessa maneira, a introdução repentina desse mecanismo, sem preparação ou estrutura para isso, acarreta problema socioeconômicos graves para um país.

Logo, medidas são necessárias para que o impasse ético e moral dessa problemática seja eliminado. Destarte, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve promover discussões sobre os limites do uso da Inteligência Artificial por meio de transmissões em redes sociais, como Instagram e Facebook. Nesses debates, devem ser convidados sociólogos e psicólogos para despertar o interesse dos internautas em refletir o tema. Espera-se com isso, o surgimento de uma sociedade consciente para decidir os limites da tecnologia de forma a preservar o bem estar social.