Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 25/11/2020

Em 1950, o matemático Alan Turing criou um teste o qual consiste em um indivíduo dentro de uma conversa anônima conseguir diferenciar uma máquina de um ser humano, todavia, caso ele não conseguisse, o conglomerado eletrônico seria indiferenciável de um homem. Nesse sentido, infere-se que a ideia dessa prova orbita em torno do problema central filosófico da possibilidade de robôs dotados de habilidades cognitivas consigam substituir a raça humana, entretanto, isso não é possível, dado a ausência da capacidade de improvisação e a dependência intrínseca da humanidade por aqueles. Logo, é imperioso destrinchar os impasses éticos e morais da utilização de Inteligência Artificial.

Primordialmente, ressalta-se a falta, por parte dos computadores, de um senso intuitivo natural do indivíduo. Desenvolvendo essa proposição, o longa “Sully: O Heroi do Rio Hudson” demonstra isso claramente, o filme retrata o acidente aeroviário no qual os módulos computacionais automáticos do avião não conseguiram prever uma rota segura e viável à tripulação na iminência de uma catástrofe, passando a responsabilidade aos pilotos os quais, hodiernamente, são idolatrados pelo impecável pouso. Por esse prisma, faz-se inegável a incompetência dos sistemas artificiais inteligentes no que diz respeito a mudança súbita de planos, dessa forma, comprovando a incapacidade estrutural da substituição de humanos, em sua totalidade, por maquinários independentes.

Paralelo a isso, salienta-se que esses robôs necessitam, essencialmente, de mão-de-obra humana para perpetuar seu intelecto. Progredindo essa afirmação, a obra cinematográfica “Tau” evidencia isso perfeitamente, ela deflagra uma alegoria com a sociedade onde , dentro de uma casa, há uma inteligência artificial que cuida de todos os afazeres, no entanto, sendo extremamente submissa à manutenção e programação de seu criador. Finalizando essa lógica, torna-se indiscutível que, embora seja possível possuir certa autonomia, essas máquinas precisam dos cuidados humanos, assim, ratificando a impossibilidade de tomarem o lugar da raça humana.

Conclui-se, portanto, que esse modo de computação não se sobressairá aos seus inventores por causa de limitações em sua estrutura. Diante disso, urge que o Ministério da Educação, no intuito de romper que os tabus ficçionais no que tange às cognições artificiais, conscientize as pessoas sobre o panorama do uso desses sistemas autônomos, por meio da propagação de informações à população, de modo que induza esta à reflexão, com base no exposto, acerca dessa problemática no cotidiano. Enfim, pondo um final às questões refratadas no teste de Turing.