Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 26/11/2020
Para o pensador francês Pierre Bourdieu, “aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação”. Essa visão, embora correta, não é efetiva no hodierno cenário global, sobretudo na questão do uso de inteligência artificial. Isso ocorre, ora em função da insuficiência legislativa, ora pelo medo coletivo de substituição do trabalho do homem pela máquina.
A princípio, deve ser ressaltada a grande vazão de informações privadas, como dados pessoais e governamentais, usados de forma pejorativa, por inteligências artificiais, para a realização de ações não consentidas, como ocorreu na série “The 100”, onde a I.A. conhecida como ALIE, invade bases do governo por todo o mundo, incluindo a STRATCOM, em busca de códigos de lançamento de mísseis nucleares, iniciando uma guerra nuclear mundial. Sendo assim, com o objetivo de minimizar a vazão de dados privados, existe a Lei de Proteção de Dados Pessoais, que garante a segurança dos indivíduos na internet. Entretanto, como ainda é um problema frequente, conclui-se que são legislamente ineficientes.
Ademais, há o receio que envolve a troca do trabalho humano pelo da máquina — como ocorreu na Primeira Revolução Industrial —, que acarretaria em uma crise sem precedentes, visto que sem empregos não há mercado consumidor. Todavia, apesar da máquina poder substituir o trabalho humano, novas atividades produtivas são criadas, como na Inglaterra, por volta de 1760, quando houve a revolução.
Diante disso, é necessário intervir. Para tanto, a sociedade civil deve se manifestar, por meio das redes sociais, com o objetivo de pressionar o governo federal para a criação de leis efetivas, que assegurem os direitos básicos do cidadão e limitem o uso de determinados recursos tecnológicos. Simultaneamente, empresas privadas de tecnologia devem desenvolver, por meio de plataformas digitais, algoritmos que notifiquem o usuário antes do uso de suas informações privadas, solicitando uma autorização, como deveria ter sido feito antes da invasão da ALIE no filme supracitado.