Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/12/2020

O escritor modernista Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do caminho”, revela, de forma metafórica, a existência de obstáculos no percurso humano. De maneira análoga, os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial (IA) tornou-se uma pedra no meio do caminho da sociedade moderna, haja vista que cria óbices para uma convivência harmônica com a tecnologia. Assim, é preciso analisar como a desregulamentação da IA e o oligopólio tecnológico contribuem para esse entrave.

Vale destacar, de início, a falta de normas que regulamentem o desenvolvimento da IA com critérios morais e éticos como causa do problema em questão. Nesse viés, o astrofísico Stephen Hawking, disse que a IA pode ser a melhor ou a pior coisa que já aconteceu à humanidade. Esse pensamento pode ser relacionado à falta de diretrizes éticas e morais que norteiem o uso dessas tecnologias, o que, por conta da falta de debate público nessa seara, provoca afastamento do interesse geral sobre o tema e permite o legitimidade das forças dominantes no desenvolvimento tecnológico da IA. Tal conjuntura reflete-se no uso de algoritmos baseados em IA pelas plataformas mais usadas da internet, retificando, assim, um contexto problemático.

Em segundo lugar, destaca-se o oligopólio dessas tecnologias como impulsionador dos impasses éticos e morais no uso de IA. Isso porque a concentração do domínio de capital tecnológico viabiliza que poucas empresas detenham grande controle na área, que é evidenciado no filme “O exterminador do futuro”, onde o supercomputador Skynet é criado por uma empresa que monopoliza a IA. Assim, não é razoável que no cenário geopolítico global, que tanto almeja o desenvolvimento, não debata em ampla escala os impasses éticos e morais do uso de IA.

Portanto, é imperativo que a Organização das Nações Unidas (ONU), que tem como função, entre outras coisas, promover o desenvolvimento sustentável e econômico dos países e a cooperação entre eles, se posicione, realizando conferência global para criar regulamentações no uso e desenvolvimento de IA, na esfera privada e pública. De modo que os países signatários promovam debates sobre os impasses éticos e morais do uso de IA em suas instituições de ensino, empresas e institutos tecnológicos, com a participação de mestres e doutores na área, por meio de simpósios e palestras, uma vez que esses projetos auxiliam na mudança estrutural da sociedade, a fim de atenuar tais impasses, e, assim, construir uma sociedade que alicerce sua estrada com as pedras encontradas no caminho e torne a convivência com a tecnologia mais harmônica.