Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 01/12/2020

No jogo eletrônico " Detroit: Become Human", é retratada uma sociedade distópica que demonstra o conflito entre humanos e máquinas inteligentes, chamadas androides. Diante do exposto, a história explicita as consequências da evolução da inteligência artificial (IA) e seus efeitos sobre a vida dos sujeitos, já que alguns androides passam a apresentar falhas no sistema, que os tornam “divergentes”, ou seja, passam a apresentar desvios de comportamento e  começam a agir e pensar como humanos. De maneira análoga ao jogo fictício, é possível inferir que o avanço da inteligência artificial enfrenta obstáculos éticos e morais, uma vez que o uso desenfreado e altamente acelerado dessa tecnologia poderá acarretar em futuras ameaças a humanidade.

Em primeira análise, é imperativo ressaltar o conceito presente no livro “Microfísica do Poder” do estudioso Michel Foucault, que analisa as diferentes formas de atuação do poder nas esferas da sociedade. Diante do exposto, é lícito afirmar que o progresso de máquinas inteligentes podem inferir - no futuro - na supremacia da comunidade científica e, consequentemente, das máquinas sobre os indivíduos, já que haverá uma relação de dependência entre os sujeitos - que utilizarão da “mão de obra” das máquinas inteligentes - e da tecnologia, que precisa de adeptos para progredir. Logo, é correto afirmar que no futuro, a interseção entre IA e sociedade apresentará conflitos e divergências.

Ademais, de acordo com dados do SAP, 45% dos empregos que existem hoje serão automatizados em menos de 20 anos. Fica notório, dessa maneira, que a evolução da IA acarretará em um desemprego estrutural, que possui raízes no desenvolvimento de novas tecnologias, uma vez que elas substituirão a mão de obra típica do trabalhador por trabalhos automatizados e especializados, que serão realizados em larga escala e possuem maior “vitalidade”, ao comparadas com as dos sujeitos. Desse modo, é imprescindível ressaltar que as tecnologias inteligentes intensificarão as desigualdades sociais, uma vez que o desempregados encontraram dificuldades de inserção no mercado.

Logo, é substancial a mudança do quadro a partir de adoção de medidas. Outrossim, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) amplifique medidas de qualificação da educação em instituições de ensino, como colégios e faculdades -  a fim de amenizar as competições que os indivíduos podem estar sujeitos no futuro e transformar a mão de obra em mais especializada. Paralelamente, é dever da mídia publicitária veicular, por meio das redes sociais, os futuros resultado de uma sociedade dependente de tecnologias inteligentes, de forma a conscientizar os indivíduos. Só assim, a situação presenciada em “Detroit: Become Human” poderá servir de exemplo e conscientização para as futuras gerações.