Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 18/12/2020
“Psycho-Pass”, animação japonesa, narra um mundo ficcional, no qual as decisões sociais, por exemplo, a escolha do parceiro matrimonial, são direcionadas por máquinas superinteligentes, buscando atingir o maior grau possível de felicidade para a sociedade. Apesar do lapso ficcional com a obra citada, tem-se, na realidade brasileira hodierna, uma problemática tecnológica semelhante ao do anime, visto que também há a ocorrência de alterações na vida privada. Nesse contexto, os principais impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial (I.A.) são a diminuição da liberdade e a perda de empregos não especializados. A priori, a diminuição do poder de escolha é um dos entraves sociais primordiais do uso da I.A. na civilização tupiniquim. Sob esse viés, tem-se a série, baseada em história reais, O Dilema das Redes, a qual mostra o poder de armazenamento e filtro de informação dos dispositivos tecnológicos, como os computadores, visto que foi mediante tamanha característica que tais objetos conseguiram direcionar as atitudes dos seus usuários, por exemplo, o posicionamento político e ideológico. Percebe-se, então, uma realidade preocupante, haja vista que as consequências dessa atitude antiética e imoral de controle é a perda de um dos bens humanos mais preciosos, a liberdade. Portanto, lamentavelmente, é inegável que existe a possibilidade da civilização brasileira não se manter democrática, pois é por meio do poder de escolha que o cidadão escolhe, no caso do Brasil, os seus representantes. A posteriori, a demissão em massa de pessoas não especializadas é o outro impasse ético e moral da utilização da Inteligência Artificial. À luz disso, nota-se a pesquisa realizada pelo filósofo Bostrom, a qual afirmara que, futuramente, existirá a criação de uma tecnologia capaz de substituir grande parte dos empregos, especialmente os braçais, porque o poder de repetição e controle da I.A. será superior ao do ser humano. Logo, observa-se a chance da ocorrência do desemprego de diversos indivíduos, já que, como já foi mostrado pelo IBGE, grande contingente de pessoas trabalha em empregos não especializados, como as empregadas e motoristas de carro. Assim, é notório que ocorrerá mazelas nutricionais, como a fome, uma vez que esses cidadãos tanto dependem dessas atividades para sobreviver quanto não possuem especialização para competir com os sistemas ciberfísicos, por exemplo, o supercomputador. Dessa forma, é urgente a adoção de medidas que mitiguem os impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial. Para tanto, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, combata a diminuição da liberdade, mediante a criação de mecanismos digitais que impeçam o controle das I.A., como a produção de um navegador virtual livre de restrições, com a finalidade de conseguir assegurar a liberdade e democracia na sociedade brasileira. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, principal órgão estatal relacionado à divulgação de informação, ofereça e divulgue cursos de especialização e capacitação profissional, por meio da produção de oficinais gratuitas, adequadas à faixa etária do participante, com objetivo de diminuir o desemprego em massa dos cidadãos. Após a realização dessas propostas, será possível evitar que a realidade descrita em “Psycoo-Pass” se torne real.