Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 22/12/2020
O desenho animado “Jonas, o Robô” conta a história da vida em sociedade da máquina que nomeia a série e como ela resolve os problemas nos quais se envolve por causa da sua natureza única. Fora da ficção, o uso de inteligências artificiais cada vez mais complexas pela humanidade é um debate de suma importância, devido a uma série de fatores, dentre eles a falta de legislação acerca do assunto e a baixa previsibilidade das consequências desse desenvolvimento tecnológico.
Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proprocionar o bem-estar máximo de uma população. Todavia, no que tange a regulamentar normas que garantam a devida análise de problemas causados por inteligências artificiais, o Estado ainda é falho, visto que a inserção crescente de máquinas autônomas no cotidiano humano torna a participação delas em acidentes inevitável. Nesse sentido, não há determinação legal para a procedência desse tipo de caso, o que torna impossível, por exemplo, definir e responsabilizar com exatidão o culpado por um atropelo dessa espécie, o que aumenta consideravelmente o receio nacional para com o uso dessas inovações.
Concomitante a isso, a imprevisibilidade do quanto mais essas máquinas podem se aprimorar é algo relevante a ser discutido por todos. Nessa lógica, o filme Matrix, que narra um futuro no qual uma inteligência artificial suprema induziu a própria humanidade a um tipo de realidade alternativa, demonstra, com perfeição, a razão para que a evolução dos computadores seja um tema de debate relevante, já que o descontrole de apenas um deles pode ser o estopim para destruir por completo toda a civilização moderna. Nessa perspectiva, uma pesquisa feita pelo pensador Nick Bostrom, que indica que cerca de um a cada três especialistas na área de informática estima que a evolução sintética do maquinário pode ser ruim indica a tangibilidade da situação supracitada com perfeição.
Faz-se necessário, destarte, a prevenção desse possível cenário caótico mundial. Dessa maneira, cabe a ONU promover um congresso com todos os países-membros que, mediante debates entre especialistas de maior renome e os líderes nacionais, determine as normas que devem ser seguidas mundialmente acerca da procedência para possíveis tribulações que envolvam robôs autônomos. Além disso, deve criar uma organização financiada internacionalmente pronta para lidar com possibilidades de ameaças oriundas de inteligências artificiais, esses descobertos antecipadamente por meio de análises mensais dos maiores computadores do mundo, ambas as ações tomadas para que o planeta tenha um futuro mais seguro e, assim, a realidade evidenciada em Matrix não se concretize.