Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 11/01/2021

A revolução internauta trouxe consigo inovações essenciais ao avanço da sociedade. No entanto, como afirma o filósofo Jugen Habermas, por basear-se em interesses pessoais dos usuários, é preocupante a possibilidade de a internet virar uma grande ferramenta de manipulação. O romance 1984, apesar de escrito antes de tal revolução, lido nos dias de hoje torna-se ainda mais realista, uma vez que com o advento da Inteligência Artificial a criação de novas realidades é um fato. Levando isso em consideração, é de extrema importância a aliança entre sociedade e inovações tecnológicas, de forma a reiterar o direito acerca das decisões da população como um todo.

Com o avanço da tecnologia, há maior possibilidade de haver liberdade e igualdade social, caso haja  o aproveitamento das relações de estudo, aprendizado e oportunidades do trabalhador, que com o auxílio das máquinas terá mais tempo, o que contradiz com a preocupação acerca do desemprego estrutural. De acordo com o estudioso Mário Sérgio Cortella, com o apoio das redes, o ideal do sociólogo Karl Marx: trabalhar menos, trabalhar todos; poderia ser alcançado. Entretanto, caso utilizada de forma imprudente, a Inteligência Artificial potencializaria a manipulação coletiva a partir dos interesses individuais. Exemplos de ascenção do último modelo são os ideais de diversos integrantes do Vale do Silício adeptos à filosofia de Ayn Rand pautada no egoísmo.

Desse modo, é importante salvaguardar os surtimentos benéficos dessas tecnologias em prol de um mundo democrático que visa o coletivo. A deposição do presidente autoritário do Egito, por exemplo, foi possível devido à mobilização social conferida pela internete. Segundo a historiadora Marilena Chaui, a dificuldade na aplicação da Democracia está no entrave entre carência da população de classes sociais baixas e o interesse dos poucos indivíduos das classes dominantes.

Portanto, para mitigar tal problemática, é um dever social a utilização da tecnologia a favor da igualdade e da democracia. Para tanto, uma parceria público-privada entre o Ministério da Tecnologia e os órgãos que exploram a Inteligência Artificial deve ser instituida por meio de benefícios mútuos de incentivos fiscais da parte do governo e inovações para esse promovida pelos órgãos. Ademais, caberia ao Ministério da Educação a criação de uma secretaria responsável exclusivamente pelo ensino de  tais tecnologias às redes públicas e privadas, através da capacitação dos educadores. Dessa forma, a esfera pública avançaria e a expansão do conhecimento acerca dessas ferramentas possibilitaria a democratização da informação em detrimento da manipulação coletiva.