Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 18/03/2021

Isaac Asimov, considerado o pai da robótica, em seu livro intitulado “Eu, Robô”, retratou em páginas, no ano de 1950, o atual cenário do mundo: inteligências artificiais auxiliando os seres humanos com as tarefas mais simples do cotidiano. Embora a participação de IAs (Inteligências Artificiais) no dia a dia seja algo útil, quando inseridas com maior precisão na sociedade, pode surgir inúmeros impasses éticos e morais: como a capacidade destes robôs de aprimorarem-se sozinhos e as chances de cometerem falhas.

Um dos maiores impasses do uso da inteligência artificial é a capacidade de auto desenvolverem-se, logo agindo de forma contrária àquela que lhe foi programada. O robô criado pela empresa Microsoft, denominado “Tay”, serve de exemplo para este caso. Esta inteligência artificial, inventada em 2016, com o intuito de divertir adolescentes nas redes sociais, em apenas 24 horas de funcionamento, tornou-se preconceituosa, agredindo negros, mulheres e judeus, pois teve contato com o lado “obscuro” da internet. Desta forma, é possível perceber a capacidade das IAs em desviar-se do senso ético, aprendendo e reproduzindo atitudes incorretas de terceiros.

Outro desafio ligado à utilização de inteligências artificiais é a possibilidade de erros dessas máquinas, as quais, mesmo sendo tecnologias avançadas, ainda possuem a chance de cometerem equívocos durante a realização de suas atividades. O robô “Da Vinci”, vem atuando desde 2008 no Brasil, efetuando cirurgias em pacientes, sendo controlado por médicos durante procedimentos. Por mais que essas máquinas sejam de avançada tecnologia, não se pode descartar uma possível falha  que pode ser cometida por elas. À vista disso, além da probabilidade do erro humano, o paciente cirúrgico ainda estará sujeito à erros mecânicos, aumentando o risco do procedimento e os índices de equívocos. Uma vez que estas tecnologias podem tirar a vida de humanos, torna-se sua utilidade completamente repensável, sendo que a segurança da vida necessita ser colocada em primeiro lugar.

Diante do exposto, conclui-se que a Inteligência Artificial, apesar de automatizar o trabalho humano, pode ser muito prejudicial quando suas atitudes e ações saem do controle e desviam do caminho da ética, seja pelo auto aprimoramento ou pela capacidade de cometerem equívocos, podendo causar danos aos seres humanos. Como proposta de intervenção, as empresas de inteligências artificiais deverão, juntamente ao Governo Federal, realizar uma maior fase de testes em suas IAs, inserindo-as no ambiente de suas funções e analisando largamente seu comportamento e ações, antes mesmo de introduzi-las realmente na sociedade. Neste sentido, evitar-se-iam possíveis erros que custariam a saúde e até mesmo a vida das pessoas com quem elas interagiriam.