Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 19/03/2021

O mito da caverna, desenvolvido por platão no livro “A República”, narra a situação de pessoas que passaram a vida inteira em uma caverna vendo sombras do mundo exterior e se contentando com elas como se fossem uma realidade completa. Fora da alusão, a crítica presente no livro é evidente no que diz respeito ao conhecimento sobre tecnologias do futuro, como a Inteligência Artificial (IA), visto que evidencia-se na população a falta de instrução básica sobre IA e suas consequências futuras para o mercado de trabalho.

Primeiramente, nota-se que a sociedade contemporânea, ainda que imersa em tecnologia, vive em um estado de contentamento quanto ao seu desconhecimento sobre Inteligências Artificiais e o Aprendizado de Máquina (ML), algo que permeia todas as áreas da tecnologia atualmente.  O filme “Matrix”, publicado em 1999, narra um futuro distópico dominado por máquinas onde os seres humanos vivem uma vida ilusória controlada por elas. Ainda que alegórica, a crítica presente no filme se traduz cada dia mais para a realidade hodierna e pode refletir em uma relação desarmoniosa entre humanos e máquinas no futuro.

Em segunda análise, cabe ressalvar que uma das consequências para cidadãos que não conhecem a tecnologia do futuro é a  inadaptabilidade ao mercado de trabalho. Conforme o estudo do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações (LAMFO) da Universidade de Brasília, aproximadamente 54% dos empregos formais atualmente estão em risco de substituição por máquinas. Dessa forma, o desconhecimento sobre IA e seus impactos no mercado de trabalho futuro se torna um impasse moral a ser resolvido com urgência.

Diante dos argumentos supracitados, faz-se necessária, indubitavelmente, uma ação conjunta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e do Ministério da Educação (MEC) para a divulgação de conhecimento sobre as profissões do futuro e Inteligências Artificiais, por meio de palestras em escolas públicas e campanhas nos meios midiáticos. Tal ação deve promover uma mudança no pensamento comum sobre IA, aumentando a compreensão popular sobre o assunto e viabilizando uma relação simbiótica entre humanos e máquinas, distanciando assim, a sociedade de um futuro como o descrito em Matrix.