Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 18/03/2021

No jogo de 2011 “Portal 2” encontra-se uma forma de vida artificial chamada “GLaDOS”, a principal antagonista, que é responsável pela manutenção e administração da empresa de pesquisas científicas “Aperture Science”. Contudo a aplicação da inteligência artificial em indústrias não é restrita apenas a ficção, é de conhecimento geral que grandes fábricas adotaram essa tecnologia que pode muitas vezes superar o desempenho de uma pessoa. Cabe a humanidade analisar o desemprego que a IA implica e o quanto da privacidade pode ser perdida.

À medida que a tecnologia foi evoluindo, perdeu-se a necessidade do uso da força animal nas fábricas e subsequentemente o trabalho humano. Segundo o relatório da IDC 15,3% das médias e grandes empresas brasileiras já contam com IA em seus negócios, o aumento de 85% da produtividade e a redução de 62% dos custos são os dois principais fatores que influenciam as organizações. Entretanto, todo esse crescimento desenfreado acarreta no desemprego em massa da população, segundo estudo da consultoria McKinsey cerca de 800 milhões de humanos perderão o emprego para os robôs até 2030, o que posteriormente levaria ao aumento da necessidade de pessoas com um nível de qualificação maior.

É inegável que os dados definem o indivíduo, a relevância que as senhas, gostos, informações pessoais, identificação, entre outros possuem para as grandes empresas é significativa. Qualquer aplicativo de streaming, assistente de voz ou rede social utiliza IA para o seu funcionamento, usando dados coletados de pessoas que muitas vezes não estão cientes, a inteligência artificial cria um algoritmo que encaixa o indivíduo em um certo grupo alterando preferências de sites de compras por exemplo, assim o introduzindo em um padrão.

Em suma, o avanço dessa tecnologia e sua aplicação em setores como na medicina, educação e comunicação é sem dúvida importante para a sociedade, o desemprego e a falta de qualificação podem ser resolvidos designando novas funções para as pessoas, reduzindo até mesmo a carga horária devido a grande produtividade da IA e beneficiando todos os setores da economia com a qualificação dos novos trabalhadores. Na questão privacidade existem leis criadas pelo GDPR que fortalecem a obrigatoriedade do consentimento do indivíduo sobre seus dados pessoais, qualquer tipo de vazamento de dado pode ser recorrido ao provedor de serviço para reparação, no entanto para o aproveitamento máximo da privacidade, deveria-se utilizar os dados somente para a manutenção da IA, descartando a venda para terceiros ou o uso para algorítmo. Parafraseando Isaac Asimov “Se o conhecimento pode criar problemas, não é através da ignorância que podemos solucioná-los.”