Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 19/03/2021

Isaac Asimov, o pai da robótica, descreveu em sua obra “Eu, Robô”, uma realidade na qual boa parte do mundo está imerso atualmente, onde a Inteligência Artificial é usada para otimizar tarefas anteriores feitas por humanos. Fora do romance, mas da mesma forma obtida no livro, a tecnologia avançou surpreendentemente desde a Revolução Industrial na metade do século XVIII. Como a tecnologia é mais do que apenas um conceito retratado em ficções científicas, muitas pessoas questionam os impasses éticos e as limitações desta inteligência artificial e seu uso.

Se tratando deste assunto, em um estudo desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Microsoft, foram apresentados dados que indicam um aumento no desemprego no país em quase 4 pontos percentuais, nos próximos 15 anos. No mais severo dos cenários, os mais afetados serão os trabalhadores menos qualificados, que poderão ver o desemprego aumentar em 5,14 pontos percentuais. Além disso, os trabalhadores dos setores de óleo e gás e de agricultura, podem chegar a uma redução de 23,57% e 21,55%, respectivamente, em suas áreas de trabalho, causando uma queda considerável na renda de diversas famílias. E ainda que algumas pessoas não sejam desempregadas, poderá haver uma maior desigualdade salarial para as pessoas menos e mais qualificadas quanto maior a incorporação de tecnologia, ainda que de forma considerada positiva, aumentando a remuneração de pessoas menos qualificadas em 7%, enquanto entre os mais qualificados o acréscimo será de quase 15%.

E seguindo por esse meio, vale ressaltar que apesar de ser programada e ajustada para uma função específica, ainda assim máquinas guiadas por meio da inteligência artificial não são tão confiáveis quanto aparentam. Em 2016, ocorreu nos Estados Unidos a primeira fatalidade causada por um veículo manuseado pelo sistema de piloto automático, em que o carro dirige sozinho dentro de restrições, levando Joshua Brown a óbito pela colisão do automóvel com um caminhão. E mais, recentemente, o veículo autônomo da Uber não evocou a aproximação de uma ciclista, Elaine Herzberg, de 49 anos, na cidade de Tempe, Arizona, vindo a atropelá-la e matá-la.

Considerando os aspectos mencionados, é visível que o uso de IA não é indicado para substituir totalmente o manuseio humano de máquinas ou veículos. Por este motivo seria importante uma conscientização por parte do estado, para que as empresas não adotem totalmente - ou em maior parte - o uso de Inteligência para ações artificiais que podem ser feitas de forma segura e eficiente pelas pessoas em si. O uso da tecnologia é sim construtivo e bem-vindo quando se trata de inovação, entretanto tudo que se dá em excesso pode afetar negativamente a vida de milhares de indivíduos.