Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 09/04/2021

Na era moderna, com a ampliação do setor tecno-científico e o consequente desenvolvimento dos aparatos tecnológico, criou-se uma nova ferramenta que beneficia a automatização de funções, bem como  a personalização dos serviços. Em contrapartida, no Brasil e no mundo globalizado, esse panorama de progresso não se instalou isento de desafios, tendo em vista os limites morais infringidos em nome dessa criação. Dessa forma, é imprescindível que os sustentáculos principais dessa adversidade sejam explicitados: a utilização do mecanismo supracitado como forma de manipulação e o auxílio que o mesmo fornece para manutenção de bolhas sociais.

Diante desse cenário, é lícito postular que o uso de controle de dados, feito pela Inteligência Artificial como estratégia publicitária, adultera o raciocínio da população. Nesse sentido, isso pode ser explicado pelo documentário “O perigo das redes”, no qual é representada a maneira com a qual o mundo online consegue manejar seu público, ao obter sua atenção, através de conteúdos de acordo com o que o usuário mais acessa, para depois transformar essa pessoa em potencial comprador de produtos. Então, depois que seu possível cliente encontra-se focado, são logo fornecidos produtos de forma massiva. Assim, percebe-se que, como comprovado pela produção cinematográfica, essas táticas controlativas alienam o corpo social ao prendê-lo no meio virtual para fazê-lo ofertas, tornando imoral o invento utilizado pelo setor empresarial.

Ressalta-se, além disso, que esse instrumento científico contribui diretamente para a conservação de segregações ideológicas. Sob tal ótica, cabe inserir a realidade da Idade Média, na qual, devido a construção dos feudos que delimitava fisicamente a sociedade, a tal não tinha acesso à informação dos outros feudos, logo, não conhecia sua cultura, costumes ou modo de pensar. Destarte, no quadro atual, a situação dos cidadãos encontra-se semelhante, uma vez que, através da controlação informativa antecedentemente pautada, a internet age como os feudos, separando o povo de acordo com suas preferências de ideais. Por conseguinte, as pessoas são cada vez mais aprisionadas a uma só perspectiva, por ser a única que têm acesso, configurando esse método como colaborador da desunião.

Depreende-se, portanto, a urgência de medidas para resolução dessa problemática em território brasileiro. É mister que o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, decrete como obrigatória a aplicação de palestras nas escolas que expliquem a controlação e o isolamento que ocorrem no ambiente online graças à tecnologia nele empregada. Ademais, tais palestras deverão acontecer semestralmente e impere que também devem abranger os pais dos alunos. Desse jeito, conscientizar-se-á os cidadãos dos infrigimentos éticos dos quais são vítimas.