Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 20/04/2021
O século XXI é amplamente marcado pelas perspectivas científicas e tecnólogicas trazidas, sobretudo, pelo contexto da Terceira Revolução Industrial. Entretanto, o lema “progresso” -um tanto exaltado pela atual geração- é posto em questionamento quando o assunto volta-se ao campo da Inteligência Artificial (IA) e seu desdobramento moral. Sob esse viés, torna-se imprescindível discutir dois dos problemáticos cenários vinculados ao sistema hiperinteligente, a saber: consolidação de manifestações discriminatórias e a insensibilidade inerente às máquinas.
Em primeira instância, é lícito postular que, consoante ao insigne astrofísico britânico Stephen Hawking, a implantação da inteligência artificial, se não realizada com rigor, consciência e estudo, pode significar o extermínio da raça humana. Isso ocorre pois, assim como a mente humana, tal sistema de inteligência tende à potencialização de atitudes segregacionistas, as quais rebaixam as capacidades dos negros e das mulheres, situação essa fruto de um longo processo histórico. Assim, de acordo com o notável estudioso russo Isaac Asimov, seria preciso aplicar as “Três Leis da Robótica”, a fim de que a coexistência entre indivíduos e máquinas torne-se viável e distante de qualquer discurso de superioridade. Infere-se, portanto, que a tendência à discriminação é algo minuciosamente analisado e, infelizmente, presente nas relações morais interpessoais.
Outrossim, cabe ainda mencionar que, segundo o filósofo grego Aristóteles, os seres humanos configuram-se como “animais políticos”, ou seja, são seres totalmente inclinados à socialização e à participação das dinâmicas políticas na vida em coletividade. A despeito de serem surpreendentemente capazes de interpretar sentimentos e emoções, a inteligência artificial não os possuem. Logo, nota-se que as incontáveis consequências advindas da insensibilidade tecnólogica podem reverberar nos mais distintos panoramas sociais, traduzidas, por exemplo, em tirar vantagens, a qualquer preço, das circustâncias experimentadas.
Diante da problemática exposta, fica claro perceber que medidas devem ser executadas com o fito de resolver o impasse ético e moral vinculado ao sistema hiperinteligente. Para tanto, as grandes corporações modernas, como a Google, Microsoft e Apple, devem aliar-se a um projeto de Estado que garanta o acompanhamento, análise e estudo da viabilidade de empregar a moderna tecnologia em campos processuais. Dessa maneira, por meio do alicerce de cientistas e especialistas da área de tecnologia da informação (TI), as empresas utilizadoras de tais máquinas serão apresentadas às leis de Asimov, de forma que a humanidade se distancie do pessimismo pregado por Hawking.