Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 26/07/2021
A Ética na visão do filósofo Emmanuel Levinhas é baseada na alteridade, a capacidade de levar em consideração o outro, sendo então, tudo aquilo que não afeta negativamente outra pessoa. Nesse sentido, a inteligência artificial é uma questão que diverge opiniões quanto a ética e a moral. Isso, porque ao mesmo tempo que é uma ferramenta interessante para o aumento da produtividade e lucro, afeta a empregabilidade e as relações humanas. Diante disso, é necessário o debate sobre a temática para a análise das consequências negativas e possíveis medidas para mitigá-las.
Em primeira instância, tem-se a substituição do trabalho manual pelo trabalho mecanizado como um dos problemas. Visto que, na sociedade contemporânea, o trabalho é conhecido como o que dignifica o homem. Sendo assim, tirar o trabalho de alguém seria o mesmo que privá-lo de sua dignidade. Nesse mesmo contexto, a série russa, “Better than us” retrata uma sociedade ficcional em que robôs estão dominando o mercado de trabalho e a cidade tomada por grupos terroristas que “matam” os robôs em praças públicas. Pois, com grande parcela da população sem seus trabalhos, famílias estariam sendo afetadas com a falta de capital, contribuindo assim, para o aumento da desigualdade social. Na realidade, não seria diferente, visto que, a desigualdade já é tamanha, e junto à diminuição de emprego, o caos estaria sendo instaurado na sociedade.
Ademais, as interações humanas também são afetadas, de modo que, com a utilização exacerbada de tecnologias e substituição do homem pelas máquinas, há o distanciamento entre os cidadãos. Tal realidade já foi explanada pelo filósofo Zygmunt Balman, o qual afirma que a debilitação das relações humanas é gerada pela modernidade líquida, em que se dá preferência à situações práticas e sem vínculos. Pois, de fato, um convívio sintético demandaria menos cuidado e empatia se comparado à vínculos reais. Desse modo, o uso desregulado de inteligência artificial resultaria no impasse ético relativo ao desgaste das relações interpessoais que faz parte da nossa natureza humana.
Diante disso, é necessário que, com o avistamento da expansão do uso das inteligências artificiais, as pessoas estejam preparadas para as mudanças no modo de vida, assim como no mercado de trabalho. Logo, o Ministério da Educação junto às secretarias de educação devem implantar nas escolas, cursos técnicos profissionalizantes de caráter tecnológico, como informática e automação industrial, além de manter e aprofundar matérias essenciais para a formação do senso crítico, como filosofia e sociologia. Assim, com os cursos profissionalizantes e com boa formação crítica, os futuros cidadãos estarão preparados para a vida profissional e vivência com as tecnologias que estão por vir.