Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 08/06/2021

As transformações sociais e estruturais ocasionadas pelo exponencial avanço das novas tecnologias de comunicação e informação modificaram a forma como os seres humanos se relacionam com o mundo e com a sociedade. Um desdobramento de tais evoluções tecnológicas e comportamentais é a incorporação da Inteligencia Artificial (AI) na vida cotidiana que vem acompanhada de preocupações crescentes sobre suas consequências. Dentre elas, estão os impasses éticos e morais do seu uso, como a invasão da privacidade dos indivíduos e o possível surgimento de novas formas de desigualdade sociais e até mesmo, biologicas.

Em primeiro plano, existe uma preocupação crescente sobre os limiares entre a privacidade individual e a atuação da inteligencia artificial, em especial àquelas relacionadas ao armanezamento de dados. A compra e venda de informações pessoais podem ,muitas vezes, ultrapassar os limites éticos de atuação, ao servirem de ferramenta para manipular os usuários em prol de determinado fim. Um exemplo de tal problemática  foi a utilização do material informacional de diversos perfis do Facebook pela empresa Cambrigde Analytica que, através de softwares superinteligentes, conseguiu influenciar o resultado das eleições americanas de 2016. Sendo assim,  as AI’s demonstram uma possível ameaça ao direito à  manutenção de uma esfera estritamente privada por parte dos indivíduos.

Em segundo plano, está o desafio do surgimento de novas formas de desigualdades a partir da incorporação da AI no cotidiano da humanidade. Como afirma o historiador Yuval Harari em sua obra Homo Deus, tais tecnologias poderão otimizar aspectos biologicos do próprio indivíduo, através de uma simbiose entre humano e máquina, por meio de artfícios como o neuralink, desenvolvido pelo empresário Elon Musk, que viza conectar o cérebro humano à interface de um computado meio de implantes neurais. No entanto, tais recursos provavelmente serão restritos a uma classe economicamente favorecida, elevando o abismo entre as camadas da sociedade para um patamar mais subjetivo, uma vez que tais avanços ocasionarão uma diferenciação estrutural e cognitiva ainda mais acentuada.

Frente ao exposto, medidas que mitiguem os impasses eticos e morais da AI devem ser adotadas. Para isso, o  Congresso Nacional deve aprimorar a Lei Geral de Proteção de Dados de forma constante, a fim de garantir que as novas tecnologias e formas de utilização não irão ferir o direito à privacidade  dos cidadãos. Além disso, as empresas privadas de tecnologia como a Black Berry e Neurolink, em parceria com a comunidade internacional deve estabelecer diretrizes muito claras para a disponibilizacão de tais tecnologias no mercado de forma a torna-los mais acessível.