Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 15/06/2021
O filme “Ela” retrata a paixão do personagem Theodore pelo seu sitema operacional de computador baseado na Inteligência Artificial (IA), mostrando a dependência emocional que ele adquiri por um sistema e a perda de consciência da realidade, uma vez que passa a viver uma ilusão contruída com a ajuda da tecnologia. Fora da ficção, o uso de IA tem ganhado cada vez mais espaço e, consequentemente, tem gerado debates sobre os impasses éticos e morais na sua utilização, visto que essa tecnologia manipula os usuários e falta transparência sobre a sua aplicação.
Em primeira análise, vale destacar que um dos principais impasses do uso de Inteligência Artificial é que essa praticabilidade, muitas vezes, é empregado para manipulação dos usuários. Isso ocorre porque ela é uma das principais tecnologias disruptivas da atualidade, tendo o potencial de modificar consideravelmente as escolhas e ações da sociedade. De acordo com o documentário “O Dilema das Redes”, da Netflix, as redes sociais conseguem atingir os consumidores com publicidades, através do uso de tecnologia persuasiva, que baseia-se no uso de design e da psicologia para criar o hábito inconsciente no usuário de consumir cada vez mais conteúdos, empregando uma mudança gradativa de comportamento. Nesse viés, as empresas fazem uso dos algoritmos, os quais coletam e analisam as informações dos internautas, a fim de entender seus costumes e fazer recomendações publicitárias, com a disseminação de propagandas massivas por meio das plataformas digitais, como Facebook.
Ademais, outro fator que gera impasses éticos e morais no uso de Inteligência Artificial é a falta de transparência sobre o seu funcionamento e aplicação. Nessa perspectiva, os usuários não entendem claramente a finalidade dessa aplicabilidade, faltando um maior esclarecimento por parte das empresas sobre a metodologia. Segundo o filósofo Byung-Chu Han, em seu livro “No Enxame: Perspectivas do Digital”, o controle da sociedade atual ocorre por meio da vigilância total e do acúmulo de dados dos usuários. Dessa forma, essa sociedade digital monitorada, a qual permite o acesso ao inconsciente coletivo e ao comportamento social, acentua a desconfiança dos internautas nos meios tecnológicos, visto que não se sabe quais dados serão coletados nem qual a real finalidade.
Portanto, é necessário medida que reverta os impasses do uso de IA. Para isso, o Legislativo deve criar uma lei que regulamente o seu uso, por meio da imposição de transparência às empresas. Assim, elas devem esclarecer quais dados serão coletados dos usuários e qual a finalidade, sendo permitido apenas com o consentimento desses. Além disso, essa lei deve regulamentar, também, as publicidades nas redes sociais, punindo as empresas que fizerem disparos massivos de propagandas. Com efeito, será evitado a manipulação dos internautas, que terão maior confiança para navegar nas redes.