Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 15/06/2021

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora dessa alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática, no que diz respeito aos perigos das decisões baseadas no uso da Inteligência Artificial (IA). Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam traçadas para alterar essa situação, que possui a lenta mudança na mentalidade social e a base educacional como influenciador.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a lenta mudança na mentalidade social presente na questão. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão de Inteligência Artificial (IA) é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social despreocupado com a ética cibernética, a tendência é a população adotar esse comportamento também, o que torna a sua solução ainda mais complexa.

Além disso, os riscos cibernéticos encontram terras férteis na falta de conhecimento dos seus consumidores. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre os perigos de um dispositivo tecnológico tomar decisões em seu lugar, sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Desta maneira, o Ministério da Segurança Pública deve investir em segurança cibernética, promovendo o menor risco possível para a população. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e estas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas palestras ministradas por psicólogos, que discutam sobre as inteligências artificiais que estão no nosso dia a dia, afim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para distanciar o mito da caverna de Platão.