Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 16/06/2021

A trilogia Matrix retrata uma realidade distópica na qual a raça humana é dominada e usada pelas inteligêngias artificiais como fonte de energia. Fora da ficção, é sabido que, atualmente, a tecnologia está intrisicamente relacionada com o dia a dia dos brasileiros, desde um aplicativo de transporte (Uber) até uma cirurgia robótica. Contudo, pouca relevância é dada aos riscos que a relação homem-máquina pode trazer, seja pela idealização da eficiência dos aparatos tecnológicos, seja pela pouca quantidade de pessoas que detém esse conhecimento. Nesse sentido, é fundamental que tal pauta seja levantada.

Primeiramente, é imperativo pontuar a tendência contemporânea de transmitir toda e qualquer responsabilidade para as máquinas. No filme Wall-E, a inteligência artifial denominada Auto, provida de consciência, convence os seres humanos de que a vida sedentária e sem preocupações que seguem é a certa e não há pelo que lutar ou procurar. Nesse viés, tal enredo vai de encontro ao pensamento do pensador prussiano Immanuel Kant, segundo o qual a preguiça e a covardia fazem com que o homem se matenha na posição de subordinado e não use do seu conhecimento para questionar e servir-se de si mesmo. Dessa forma, observa-se o quão urgente é a mudança de pensamento por parte daqueles que projetam e utilizam tais aparatos tecnológicos como forma de prevenção ao surgimento de Autos.

Outrossim, é fundamental sinalar a exclusão digital como uma pedra no caminho entre a boa relação com os humanos e a tecnologia. De acordo com o pesquisador em ciência da informação Pierre Levy, em uma sociedade hiperconectada, como a atual, as informações mais importantes pro nosso dia a dia estão na internet,porém ,de acordo com a pesquisa TIC Domicílios, 92% da classe média desfruta de acesso à internet, enquanto somente 48% das classes D e E possuem algum tipo de conexão, geralmente pelo celular, provando, assim, o privilégio gozado pelas áreas mais ricas. De modo similar, aqueles que detém o conhecimento necessário para manipular as inteligências artificiais podem moldá-lo e usá-lo ao seu bel prazer,e segundo suas vontades, visto que as máquinas não são imparciais,  em detrimento do bem-estar do restante da sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para combater esses impasses. Urge que o Ministério da Educação, por meio da mídia e das redes televisivas, retorne com o programa “Telecurso” em horário nobre, dessa vez focado em esclarecer as dúvidas da maioria da população sobre o uso das inteligências artificiais no dia a dia e fomentar seu pensamento crítico a respeito delas, para que, assim, tal conhecimento seja difundido e usado em prol da homeostase social.