Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

“Eu, Robô”,obra literária cujo autor, Isaac Asimov, escritor e bioquímico russo, deixa claro como a cooperação entre humanos e máquinas -como o computador- pode trazer novos hábitos a uma comunidade que, por sua vez, nem sempre são positivos. A esse respeito, é essencial analisar esses impasses éticos e morais gerados pela IA-Inteligência Artificial no Brasil. Nesse sentido, os problemas causados pelo uso inoportuno da máquina são: alienação do povo, pelas empresas de rede social, e a quebra do sigilo do indivíduo com o objetivo de influenciar o consumo de determinado produto.

Cabe analisar, em primeiro plano, a maneira nefasta que as companias de rede social procuram reduzir o indivíduo a um mero espectador,por meio do auxílio da IA, para poder controlar melhor as parcelas da população. Diante desse cenário, Michel Foucault, excelso filósofo de Poitiers, resume em sua célebre frase sobre o controle da população: “A visibilidade é uma armadilha”. Sob tal ótica, Foucault deixou explícito como o excesso de visibilidade pode atuar como um cerceador de liberdade, que parece algo bom, mas é uma “armadilha”. Nesse viés, é importante destacar a maneira que os algoritmos são usados pela inteligência artificial, muitas vezes utilizados para fomentar um uso desenfreado dessas tecnologias, baseado nos gostos particulares do indivíduo.

Sob outra ótica, quando a IA é usada para explorar gostos do cidadão, e, posteriormente, influenciá-lo ao consumo, caracterizará uma sociedade dominada pela própria tecnologia, algo que se assemelha a escravizar a si mesmo. Nesse contexto, Herbert Marcuse, sociólogo alemão, desenvolveu o conceito de “racionalidade irracional”, uma caracterização da tecnologia que domina o homem, e não o contrário.

Dessa maneira, Marcuse detalha bem a inversão da utilidade dos meios tecnológicos, quando esses são usados para reduzir a liberdade do ser humano, que, nesses casos, é apenas um ser que consome.

Depreende-se, portanto, que esses impasses gerados pela tecnologia devem ser imediatamente resolvidos. Dessa forma, o Ministério das Comunicações- no exercício de seu poder de disseminação de informações-deve integrar políticas para resolver essa situação, por meio da notificação e multa-em conjunto da Receita Federal, no exercício de seu poder regulador- de empresas de comunicação social que violem os dados sigilosos do indivíduo para usá-los com intuito de manipular o povo, com a  finalidade de impedir manipulação do povo pela própria tecnologia. Assim, a cooperação entre humanos e máquinas será harmoniosa, como gostaria Asimov.