Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 17/06/2021

Quando se analisa o longa-metragem da Disney “Wall-E”, encontra-se um futuro em que os humanos são tomados pelo comodismo, pela preguiça e por problemas de saúde. No filme, essa situação é tratada como resultado do uso intenso da Inteligência Artificial (IA), a qual, mesmo que seja uma importante aliada do homem, pode trazer diversas consequências éticas negativas, que funcionam como um empecilhos para o próprio desenvolvimento tecnológico. Nesse sentido, cabe analisarmos o desemprego estrutural e a diminuição da comunicação entre indivíduos no Brasil causados por esse avanço, para entender como esses impasses morais nos influenciam.

Primeiramente, é válido ressaltar que, ao longo das Revoluções Industriais, o desemprego estrutural - causado pela substituição dos empregados por máquinas - tornou-se cada vez mais recorrente. Por conseguinte, passou-se a haver uma maior exigência de qualificação do trabalhador, uma realidade que, infelizmente, não é possível para muitos brasileiros, já que, segundo o IBGE, apenas 48,8% da população acima de vinte cinco anos completou o ensino médio. Desse modo, com a atual chegada da Quarta Revolução Industrial, a IA começou a substituir a função de vários indivíduos, e aí coloca-se em questão a ética, visto que é negativo provocar um desemprego massivo com baixa probabilidade de se reverter, em vez de se procurar equilibrar o desenvolvimento social e o tecnológico.

Em segunda instância, também deve-se refletir sobre o prejuízo que esse desenvolvimento citado causa nas relações dos indivíduos. Isso porque, conforme o pensamento do intelectual Chul Han, na sociedade atual, promove-se uma comunicação que é somente visual, ou seja, acaba se perdendo todos os sentidos presentes nos contatos sociais. Assim, com o desenvolvimento das IAs, fica ainda mais difícil se conectar de fato com as pessoas, já que estas passarão boa parte do seu tempo se comunicando com recursos da tecnologia, os quais nunca poderão substituir a conexão humana. Isso torna esse impasse moral um problema bastante sério.

Diante dos fatos supracitados, conclui-se que, antes de procurar se desenvolver o campo da Inteligência Artificial no Brasil, deve-se analisar bem os impasses que ele traz consigo. Desse modo, buscando evitar o desemprego estrutural causado por essa tecnologia, cabe ao Governo Federal a realocação dos desempregados no mercado de trabalho por meio do aumento dos impostos das empresas que trocam seus funcionários pela IA. Outrossim, o Ministério da Educação deve promover, por meio de aulas e palestras no país, o uso consciente da tecnologia, a fim de que a conexão entre os indivíduos não diminua com esses avanços. Só assim se evitaria a realidade proposta no filme Wall-E.