Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

Entre o final do século XIX e o começo do século XX, a sociedade estava animada com o desenvolvimento da ciência e das máquinas, como retratado na escola literária Futurismo, a qual celebra a velocidade e as invenções. A partir desse progresso os países continuaram a inovar, em especial o Brasil, desenvolveu tecnologias e no momento atual conta com o uso de Inteligência Artificial (IA), que apesar de melhorar a vida da população apresenta impasses éticos e morais, por exemplo, o limites na segurança cibernética, como também a substituição das relações sociais pela tecnologia.

A priori, a utilização de IA facilitou a vida humana, contudo essa inovação trouxe a preocupação da perda da privacidade. Dito isso, segundo o filósfo Michel Foucault, as instituições vigiam os cidadãos, de modo a excercer poder sobre eles. Sob tal conceito, é perceptível que as tecnologias tem acesso aos documentos e informações dos seus usuários, consquentemente, essa ferramenta tem controle sobre os indivíduos, por conhecê-los por meio dos seus gostos, localizações e interações em redes. Dessa maneira, a segurança cibernética da IA ultrapassa a privacidade das pessoas, o que pode provocar uma manipulação da população. Ou seja, esse mecanismo deve ter barreiras, para não transgredir os direitos e não usar seus dados para ações que não sejam para ajudar nas necessidades dos cidadãos.

Outrossim, as inovações tecnológicas mudaram a forma de viver positivamente, todavia, prejudicou instituições sociais e modificou a economia. Isso posto, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade trouxe uma liquidez que alterou as relações sociais(interações afetivas, produção e consumo). Diante dessa ótica, é notável que a IA, além de intensificar e aprimorar o desempenho das empresas, ela reduziu postos de trabalho que foram ocupados pelas máquinas. Portanto, essa situação afetou a sobrevivência da população e aumentou o lucro das grandes indústrias e das classes privilegiadas, isto é, a IA serviu para expandir a produtividade, apesar de ampliar a desigualdade na sociedade.

Logo, medidas precisam ser tomadas para reverter os impasses morais e éticos causados pela IA no Brasil. Para isso, o Ministério da Ciência necessita criar programas especializados em segurança cibernética, mediante testes em algoritmos que preservem a privacidade da população e notifiquem os usuários quais dados vão coletar, a fim de que a sociedade não tenha suas informações usadas para manipulá-los. Além disso, o Ministério Tecnologia deve investir em projetos profissionalizantes, por intermédio de cursos sobre IA para os trabalhadores e distribuição igualitária de mão de obra humana e robótica, a fim de que a tecnologia e a humanidade possam ter harmonia e desenvolvimento, como previsto pelo Futurismo.