Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 22/06/2021
O robô “Zariguim”, personagem peculiar da novela “Morde e Assopra”, exibido em 2011 na Rede Globo, em muitas de suas cenas ensinava e dava conselhos aos demais intérpretes da trama. Nesse cenário fictício, uma intelectualidade artificial de “Zariguim” proporcionou interações quase humanas e a tomada de decisões dele na novela. Contudo, fora dos interins teledramaturgos, ficção e realidade coexistem e a evolução brusca de tais mecanismos tecnológicos alavancam, na atualidade, os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial no Brasil. A partir disso, é fundamental entender quais são esses empecilhos e como eles repercutem na sociedade brasileira.
Percebe-se, de início, que a falta de preparo humano para gerenciar os avanços tecnológicos e a tomada de decisões por computadores são imbróglios no uso de inteligência artificial (I.A.) no Brasil. Isso ocorre porque o homo sapiens sapiens cria tecnologias dotadas do poder de escolha, um exemplo o piloto automático encontrado em alguns carros e aviões atuais. Desse modo, os impasses éticos e morais traduzem-se nas decisões da I.A., que em casos de falhas mecânicas ou operacionais divergem da opinião humana. Nesse contexto, mecanismos que, segundo o teórico canadense Marshall MecLuhan, funciona como completo das fontes humanas, acabam distanciando-se dessa máxima por expor a sociedade ao risco de acidentes provocados pelo uso dos juízes artificiais.
Além disso, cabe ressaltar que os acidentes ocasionados pela utilização de I.A. não se restringem apenas ao trânsito, mas repercutem também no desenvolvimento social do país. Tal questão acontece devido à ausência de criticidade na construção do aprendizado artificial, que não consegue verificar se o que foi aprendido ou programado ainda corresponde ao que é considerado ético na sociedade, perpetuando, então, julgos equivocados. Dessa forma, a capacidade intelectual sintética recria formas de pensar como o homem à medida que há uma consolidação de preconceitos humanos transformados nos sistemas de informação tecnológicos. Sob esse prisma, o astrofísico Stephen Hawking salientea que não se deve parar ao avanço científico da I.A., apenas criar leis para que o uso seja seguro.
Portanto, nota-se que os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial no Brasil devem ser mitigados. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, coordenar políticas de desenvolvimento ético da I.A. Essa ação ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de incentivo ao aprimoramento dos sistemas de informação, o qual será pautado na capacitação de profissionais da área e na atualização constante dos códigos de condulta do intelecto sintético, a fim de proporcionar o uso seguro e consciente de tais mecanismos. Desse modo, as decisões elaboradas por a I.A. serão construtivas, como as de “Zariguim”.