Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 16/06/2021

A Inteligência Artificial (IA) permite que máquinas realizem tarefas antes só feitas por seres humanos. Porém, essa tecnologia em vez de ajudar pode afetar a vida de uma pessoa, como mostrado no episódio “Atendimento Automático” da série “Amor, Morte e Robôs” da Netflix. Logo, é notório que essa ferramenta possui diversos impasses éticos e morais. Dois desses aspectos são: a violação da privacidade no desenvolvimento dessas aplicações e a utilização de vieses falhos pelas máquinas nas tomadas de decisões.

Primeiramente, é evidente que a IA replica ações humanas. Para isso, é necessário que essas aplicações se “alimentem” constantemente de uma grande quantidade de dado, para que ocorra o processo de Aprendizado de Máquina (ML). No entanto, essas informações são provenientes de pessoas reais e, muitas vezes, são coletadas sem o consentimento desses indivíduos. Prova disso foi a necessidade de o Governo brasileiro criar a Lei Geral de Proteção de Dados, que garante a privacidade dos cidadãos no meio digital. Dessa forma, é lamentável que essa tecnologia possa infligir um direito garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Outrossim, o processo de ML pode ter como base um banco de dados “infectado” com informações preconceituosas e vieses falhos. Por conseguinte, as máquinas inteligentes podem tomar decisões ética e moralmente incorretas. Por exemplo, uma IA utilizou, em 2016, critérios racistas para escolher as campeãs, majoritariamente brancas, no concurso de beleza “Beauty.ai”. Logo, é evidente que essa tecnologia pode ferir várias pessoas se tomar como referência parâmetro repletos de falhas humanas.

Portanto, os impasses éticos e morais do uso de IA são uma realidade e precisão ser combatidos. Para isso, o Ministério da Tecnologia e Universidades devem orientar desenvolvedores, por meio da criação de comitês regionais que fiscalizem e informem quanto a coleta e o uso adequado de dados no desenvolvimento de máquinas inteligentes. Como resultado, a forma como essa tecnologia adquirem e utilizam as informações será eticamente correta. Dessa forma, situações como a mostrada pela série da Netflix pode ser evitada.