Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 16/06/2021
Em seu livro “Eu, Robô”, Isaac Asimov, escritor de ficção científica, descreve a evolução das inteligências artificiais (IA) até que estas governem o globo através da figura de um “coordenador mundial”. Apesar de ficcional, o cenário descrito na obra começa a tomar forma no mundo real através da implementação de sistemas inteligentes computadorizados, os quais têm gerado impasses como a desvalorização do trabalho humano e dificuldades ligadas à filosofia cartesiana.
Primeiramente, as máquinas “pensantes” se utilizam de algoritmos computacionais para aprimorar suas capacidades de armazenamento e processamento de informações, tornando a atividade humana pouco lucrativa para as empresas. Segundo uma pesquisa divulgada pela consultora McKinsey, estima-se que os robôs roubarão entre 400 a 800 milhões de empregos das pessoas. Esse dado é preocupante, pois revela que grande parte da população estará, em poucos anos, desemparada em função da maior inserção das IAs no mercado de trabalho.
Outrossim, é necessário questionar o papel do pensamento robotizado na sociedade atual. De acordo com o pensamento do intelectual francês René Descartes em que “penso, logo existo”, o ato de pensar traz ao indivíduo a condição do ser e existir. Nesse âmbito, é cabível cogitar a possibilidade das máquinas com capacidade de aprendizado e pensamento necessitarem de direitos e aparato jurídico como os humanos. Sendo assim, a comunidade científica deve, através de comissões de ética, avaliar a esfera de atuação dessa IAs em nossa sociedade.
Portanto, para minimizar as dificuldades geradas pelo advento das IAs, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deve, por meio de recursos públicos, instaurar em centros de pesquisas - como em universidades e instituições privadas ligadas à área científica - comitês de debates sobre os impactos causados na sociedade pelos sistemas inteligentes. Dessa forma, o progresso dessa tecnologia será pautado tanto pela questão ética quanto pela visão econômica, visando o bem estar da sociedade.