Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 16/06/2021

Criada por cientistas norte-americanos, em meados dos anos de 1950, a inteligência artificial surgiu para auxiliar atividades do cotidiano, atribuindo-lhe características  humanas. Contudo, com o crescente avanço tecnológico decorrente da globalização atual, a utilização do intelecto artificial torna-se cada vez mais presente no dia a dia dos indivíduos, apresentando dois grandes impasses éticos e morais: o aumento do desemprego e a invasão da privacidade de dados.

Em primeira análise, afirma-se que o crescente uso da Inteligência Artificial (IA) nos setores do trabalho -substituindo o humano- tende a elevar o índice de desemprego ainda mais, apresentando-se um impasse ético-moral para o usufruto dessa tecnologia. Consoante estudos realizados no ano de 2019, pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), a utilização da IA pode aumentar o índice de desempregados no país em aproximadamente quatro pontos percentuais nos próximos quinze anos. Esse indicador é de extrema preocupação, haja vista que a ampliação do desemprego no Brasil acarreta  problemas muito graves, como o aumento das elevadas taxas de violência, fome e miserabilidade, quadro que indica grande impasse ético no uso da IA.

Outrossim, é importante ressaltar que a invasão da privacidade de dados -e a consequente falta de segurança desses- pela Inteligência Artificial, utilizada no cotidiano de grande parcela da nação brasileira,  é fator considerável no impasse ético e moral desse cenário. No livro 1984, segundo a narrativa do escritor inglês George Orwell, a sociedade vive uma distopia, na qual todos são vigiados constantemente pela teletela -comandada pelo Grande Irmão- em que todas as suas ações são supervisionadas. Nessa perspectiva, pode-se fazer alusão ao atual cenário brasileiro, à medida que a IA monitora e coleta dados dos usuários das redes digitais, invadindo a privacidade desses -problema ético e moral-, quadro ultrajante inconstitucional, visto que fere o Art. 5º da Constituição Federal, o qual assegura a privacidade como direito inviolável e irrenunciável de todos os cidadãos.

Portanto, é evidente que medidas são necessárias para a mudança do quadro atual. O governo Federal deve atenuar os impasses éticos e morais do uso da Inteligência Artificial, por meio da geração de  empregos -principalmente para os cidadãos em que a força de trabalho foi substituída pela automatizada-, os quais garantirão uma remuneração suficiente para a vivência dos cidadãos, a fim de que o índice de desemprego gerado pela IA diminua. Ademais, o Ministério das comunicações, órgão responsável pelas áreas digitais, deve assegurar a privacidade dos usuários de maneira eficaz -direito inalienável dos cidadãos-, com a finalidade de que se obtenha uma sociedade mais íntegra e segura. A partir dessas ações, espera-se que haja uma melhora no Brasil.