Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

No filme americano “Eu,robô”, é retradado um mundo utópico no qual a Inteligência Artificial (IA) é utilizada de modo a otimizar as tarefas antes destinadas à humanos. Fora da ficção, é notório que há impasses éticos e morais sobre o uso da Inteligencia Artificial, visto que o avanço tecnológico não proporciona apenas benefícios dentro da sociedade. Desse modo, deve-se analisar o impacto gerado no aumento de desempregos, além de corroborar com a perpetuação da desigualdade social.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a substituição dos humanos pelas máquinas irá contribuir, essencialmente, no desemprego. Segundo pesquisas da UnB( Universidade de Brasília), até 2026, 54% dos empregos formais do país poderão ser ocupados por robôs e programas de computador. A porcentagem representa cerca de 30 milhões de vagas. Diante disso, nota-se que o uso da Inteligência Artificial afetará negativamente o mercado de trabalho, tendo em vista que muitos funcionários serão demitidos em razão da grande demanda de robos, tornando assim a modernização automatizada em um impasse no âmbito social.

Sob esse viés, convém também analisar os impactos dos avanços tecnológicos na perpetuação da desigualdade social. De acordo com o relatório da Sutton Trust, associação de caridade do Reino Unido, há um perigo de que a próxima onda de automação gere uma crescente desigualdade entre sociedades. Acerca disso, é notório que os ricos serão capazes de se reciclarem para os novos trabalhos que o mercado demandará, logo isso pode facilitar a vida de quem já tem uma boa condição de vida. Entretanto, a redução dos trabalhos mais simples irá contribuir no aumento da desigualdade social, uma vez que dividirá definitivamente o mundo entre pobres e ricos.

Portanto, cabe ao Ministério do Trabalho juntamente com o Ministério da Tecnologia, realizarem estudos para aprimorar seus conhecimentos na área de Inteligência Artificial, analisando suas consequências maléficas no mercado de trabalho, além de organizar uma redistribuição correta entre funcionários e máquinas, como também aumentarem a quantidade de cargos “simples” que exigem habilidades leves para a integração de pessoas de baixa renda e com pouca experiencia, por meio de planejamentos tecnológicos, visando minimizar o aumento de desemprego e diminuir a desigualdade social. Só assim, os avanços tecnológicos irão trazer benefícios dentro da sociedade, tal como no filme “Eu,robô”.