Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 16/06/2021

No filme Matrix, a Terra havia sido dominada pela Inteligência Artificial (IA) que usava os homens como pilhas para dar energia aos robôs. Em comparação, a revolução das máquinas, embora algo muito trágico e inimaginável, é algo possível, haja vista que essa nova tecnologia cresce cada vez mais na contemporaneidade e causa inseguranças quanto ao seu funcionamento. Desse modo, é válido analisar os impasses de seu uso no que tange às regras sociais, além de sua relação com o homem.

A priori, é fato que as máquinas podem ser projetadas para simularem a mente do ser humano. A posteriori, não se pode afirmar que elas sempre sigam os princípios éticos e morais, os quais são advindos de reflexões humanas. Ou seja, é imprevisível que, por exemplo, um carro automático desvie de animais na pista em detrimento de sua conservação física, pois, mesmo com sua programação, falhas técnicas têm a tendência de ocorrer. Em analogia, o empresário Tony Stark, no filme Vingadores: A era de Ultron, cria uma IA destinada a instaurar a paz mundial, mas que acaba criando consciência própria para exterminar a raça humana. Diante disso, embora ficcional, esse caso pode ocorrer, já que, por ser uma tecnologia muito recente, ainda não se tem conhecimento dos seus limites da obediência ao homem, o que vai de encontro aos conceitos filosóficos. Assim, mesmo que essa segunda “mente” traga inúmeras vantagens, não se deve fechar os olhos para os seus perigos.

Além disso, deve-se ressaltar as implicações da relação homem-máquina. Nessa lógica, seja pela substituição de trabalhadores por dispositivos que fazem o serviço com mais agilidade, seja por decisões antiéticas tomadas por robôs, é notório que essa interação pode trazer péssimos impactos aos seres. Em consonância, o cientista Peter Singer aborda sobre a bioética ao defender que deve-se redobrar a reflexão dos princípios éticos na área da saúde por conta dessas novas engenharias. Isto é, o uso dessa tecnologia com o homem pode ser conflituoso pois, pensamentos subjetivos, baseados nos princípios morais, até agora só são possíveis com a mente humana. Nesse viés, enquanto os riscos de adotar integralmente máquinas para substituir ações humanas não forem extintos, suas relações causarão inseguranças na sociedade.

Portanto, é imperioso propor soluções para esse impasse sem ferir as bases filosóficas: ética e moral. Para tal, as grandes empresas de tecnologia, como Facebook, Google, Apple e Microsoft, devem investir na segurança dos impactos da IA, por meio de uma organização mundial das mesmas, especificamente com o apoio da maioria dos países para contribuir com verbas, com vistas a garantir que as ações das máquinas se limitem a seguir as normas sociais programadas e evitar que, por exemplo, ocorra uma dominação robótica, semelhante ao filme da Marvel.