Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 16/06/2021

No jogo “Detroit Become Human”, a sociedade está inserida em um mundo onde robôs ocupam vagas de emprego antes oferecidas a humanos, e assim, ocorrem protestos por parte da população contra o uso dessas máquinas. Fora da ficção, no Brasil, ainda está longe dessa realidade, porém, inteligências artificiais (IAs) já são utilizadas no telemarketing, por exemplo, ocupando lugares de humanos. Dessa forma, é válido avaliar dois pontos: o aumento do desemprego causado pelo uso de robôs e se estes possuem capacidade para serem utilizados em áreas que necessitem de julgamento.

É importante observar, primeiramente, como o uso de máquinas irá afetar o número de vagas de emprego ofertadas às pessoas. De acordo com dados divulgados pelo pesquisador Carl Frey em um trabalho sobre o tema, 47% dos empregos dos Estados Unidos serào passíveis de substituição por robôs e IAs. Destarte, se em um país que apresenta alto nível de qualificação profissional as máquinas poderão ocupar tantas vagas de emprego, no Brasil, que apresenta precariedade nessa área, o número deve ser ainda maior. Por conseguinte, ocorrerá um desemprego em massa da população o que deixará essas pessoas em situação precária e ainda levará a uma queda da economia do país, impossibilitando o Estado de dar auxílio a essas famílias.

Faz-se notório destacar, no entanto, que além do desemprego, ainda há a questão dessas máquinas apresentarem ou não o necessário para atuar em aréas que necessitem de julgamento ou empatia. A cerca disso, lançado em 2016, o “chatbot” Tay, desenvolvido pela microsoft, tornou-se um defensor do nazismo por armazenar em sua base de dados conversas de adolescentes. Logo, a máquina se torna uma propagadora de ódio, algo que não vai de acordo com as três leis da robótica criadas por Isaac Asimov, a qual diz que robôs não podem ferir humanos. Portanto, mostra-se frágil sua utilização em áreas que necessitem de empatia, pois, elas não têm a capacidade de discernir entre o que é certo ou errado, baseando-se em pessoas que apresentam cada qual seus pontos de vista sobre algum assunto.

Dessarte, observam-se problemas éticos e morais quanto ao uso de IA no Brasil. Assim, o Legislativo deve criar leis que assegurem empregos para sociedade visando a garantir a renda dessas pessoas. Tais leis assegurarão um percentual máximo de vagas ocupadas por máquinas, assim como atualmente se tem um percentual mínimo para pessoas com deficiência. Ademais, o Estado deve restringir o uso desses robôs à áreas que não demandem emoções advindas dessas IAs, para garantir a integridade mental da população. Essas restrições se darão ao classificar áreas como a de psicologia, como exclusivas à pessoas qualificadas para tanto, para isso será necessário a criação de leis/decretos. Dessa forma, as leis de Isaac Asimov serão atendidas.