Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 16/06/2021
No filme americano “Vingadores: Era de Ultron”, Tony Stark desenvolve uma mega Inteligência Artificial (IA) com intuito de proteger a terra contra perigos externos, mas o software decide que a melhor forma de proteger o planeta seria exterminando a raça humana. Fora da ficção, percebe-se que a sociedade enfrenta impasses relacionados ao uso de IAs, não por elas quererem dizimar a raça humana, mas por dilemas éticos, como o uso de robôs para o mau, e morais, a exemplo a substituição do homem por máquinas. A partir desse contexto, é válido discutir mais a fundo tais impasses e possíveis medidas para a resolução destes.
Primeiramente, é necessário entender que o principal impasse ético com o uso de Inteligências Artificiais (IA) é o repasse de desvios éticos do criador para o software e seu uso posterior para malefícios. Segundo as leis da robótica de Isaac Asimov, robôs/IAs não podem ferir e nem serem usados para ferir humanos, de forma a tornar possível a sua coexistência. No entanto, nos dias atuais, é notório o uso de IAs para fins bélicos que, além de serem desenvolvidas para causar danos – o que já contraria as leis da robótica – ainda conseguem causar prejuízos maiores por serem mais precisos caracterizando, assim, um dos motivos para a existência de impasses éticos com o uso de IAs.
Além disso, um impasse moral gerado pelo uso de Inteligências Artificiais (IA) é o aumento do desemprego estrutural causado pela troca de trabalhadores por robôs. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 35 milhões de brasileiros serão substituídos em seus empregos por robôs/IAs até 2050. Destarte, é valido refletir até onde o uso de inteligências artificiais é benéfico para sociedade, uma vez que apenas os patrões são favorecidos com o da tecnologia e os trabalhadores – maior parcela da sociedade - só são impactados com o desemprego e a diminuição de postos de trabalho.
Portanto, fica claro que o uso de IAs será cada vez mais difundido e, por isso, urgem medidas para atenuar seus efeitos negativos. Por isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, por meio de comissões avaliadoras com engenheiros da computação e cientistas sociais, averiguar as inteligências artificiais produzidas no país para assegurar que elas são seguras e não iram ferir nenhum brasileiro, de forma que os impasses éticos quanto ao uso de IAs sejam mitigados. Ademais, o Estado deve, ainda, oferecer cursos profissionalizantes para vítimas do desemprego estrutural em áreas que dificilmente podem ser substituídas por IAs como cuidadores, críticos e assistentes sociais visando a reintegrar essas pessoas no mercado de trabalho. Dessa forma, o uso de inteligências artificiais não será tão prejudicial para a sociedade, podendo ajudá-la a evoluir cada vez mais.