Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 16/06/2021
No filme “Matrix”, um sistema de inteligência artificial (IA) usa seu potencial intelectual e autodesenvolvedor para a manipulação da mente e comportamento humano o que a leva ser combatida pelo personagem Thomas Anderson.Nesse sentido, mesmo que a realidade apontada pela obra cinematográfica seja distópica e distante do uso contemporâneo dessa tecnologia, a IA levanta questionamentos éticos e morais da sociedade moderna,assim como na ficção, ao acessar, no seu aprimoramento, um grande banco de dados dos indivíduos e precisar tomar decisões diante de preocupações éticas.Dessa forma,falar sobre a restrição de privicidade humana e a ausência de valores sociais internalizados é importante para a discussão sobre os impasses do uso de inteligência artificial.
Em primeiro lugar, é necessário salientar que, com utilização de dados socioculturais,políticos e econômicos do indivíduos para o desenvolvimento e ampliação da atuação da IA na sociedade, a privacidade humana ao realizar compras e atividades comunicativas e de lazer no meio tecnológico foi impactada já que as ações dos seres se tornou informações de conhecimento da inteligência artificial.Nesse sentido, tomando como norte o sociólogo Zygmund Bauman,vive-se em um período de liberdade ilusória,pois o mundo digital possibilitou a manipulação e utilização de conteúdos produzidos pelas pessoas, ou seja, a contemporaneidade,marcada pelo uso exponencial de sistemas de inteligência, não permite que existam informações pessoais privadas.Assim, percebe-se que,para manter as tecnologias IA e sua expansão, a maior coleta de dados é um fator preponderante, o qual acarreta a insegurança digital e a possibilidade de roubo e exposição de conteúdos pessoais.Dessa forma, o controle da permissividade de acesso a dados consentidos pelo usuário das tecnologias deve ser implementado no desenvolvimento dos sistemas de inteligência artificial.
Ademais, é importante ressaltar que a ausência de valores sociais internalizados nas tecnologias IA representa um perigo para o desenvolvimento humano quando utilizadas em funções as quais necessitem de ponderamento ético e moral.Assim, tomando como norte o filósofo Émile Durkheim, a anomia representa a inexistência de normas sociais, ou seja, a falta de noções humanas de “certo” e “errado” que estabelecem a sociedade pode destabilizar o desenvolvimento dos seres diante de sistemas de IA que não sabem equilibrar preocupações éticas.Por esse ângulo, situações de utilização dessa inteligência em atuações que precisem de valores salientadores do bem comum é preocupante.
Portanto, debater sobre os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial é necessário para a manutenção do desenvolvimento humano.Assim, cabe aos Governos o controle da atuação dos sitemas IA por meio de leis que explicitem quais funções podem utilizar e como utilizar essa tecnologia.