Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 17/06/2021

A humanidade vivencia no século XXI uma série de avanços científicos e tecnológicos, em uma era defendida por muitos cientistas como a da Quarta Revolução Industrial. Essa nova etapa inclui a inteligência artificial, que tem como objetivo programar máquinas que realizem ações com maior precisão, dotadas de habilidades associadas ao intelecto humano, com própria personalidade, raciocínio e capacidade de tomar decisões. Contudo, alguns impasses éticos e morais estão relacionados a essa nova ferramenta, como a falta de privacidade dos indivíduos, que serão altamente observados e controlados, e de um crescente desemprego estrutural.

Em um primeiro aspecto, é preciso destacar que o objetivo inicial da programação de sistemas, para que estes monitorem a sociedade, é positivo. A finalidade, por exemplo, seria reduzir o número da cri- minalidade, fiscalizando as ruas para que potenciais criminosos sejam previamente detectados e impe- didos de cometer alguma infração.  Por outro lado, a problemática de que os cidadãos não tenham mais sua privacidade está sendo ameaçada, visto que este não disfrutaria de possuir o direito de vida priva- da, assegurado na Constituição Federal vigente. A distopia “1984” de George Orwell, relata justamente o excesso de monitoramento de um jovem trabalhador, que por ter seu dia a dia vigiado terminava agindo somente de acordo com os interesses de quem estava por trás das máquinas inspetoras.

Outro fator existente é o do mercado de trabalho, que sendo inserido nessa dinâmica seria modificado, substituindo o trabalho humano pelo o da inteligência artificial. Isso provocaria elevada taxa de desemprego e aumentaria as desigualdades econômicas entre as pessoas, que não conseguiriam se manter nesse atual mundo capitalista, sem nenhuma fonte de renda. O que também precisa ser salientado são as consequências que possíveis falhas dos sistemas artificiais ocasionariam. Essas falhas não só poderiam implicar na morte de um ser humano, se fosse dado um diagnóstico falso, como também em casos de um comando de um avião. Por isso é imprescindível que seja feita uma análise sobre como essa nova tecnologia seria aplicada na vida real.

Fica claro, portanto, que o uso dessa Inteligência Computadorizada deve ser previamente discutido, e que é preciso que algumas medidas sejam tomadas antes de se chegar a uma conclusão sobre o tema. Primeiramente, o governo deve restringir a fiscalização das pessoas à ambientes públicos, com o uso de câmeras e veículos capacitados, para que a privacidade de um cidadão seja garantida. Não obstante, fica responsável pela Secretaria do Trabalho garantir a empregabilidade das pessoas, não substituindo completamente o trabalho humano pelo de uma máquina. Com essas medidas, a nova Revolução Industrial poderá ser efetivamente realizada sem comprometimentos éticos e morais.