Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 17/06/2021
Na série televisiva “Black Mirror”, um de seus episódios retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade futura, na qual um mecanismo de avaliação de indivíduos por estrelas, junto a uma inteligência artificial, tornam pessoas excluídas do convívio social. Fora da ficção, o uso desse tipo de tecnologia tem violado premissas básicas de respeito à privacidade e às liberdades individuais, por meio da maneira invasiva de coleta de dados sobre a personalidade e afinidades do usuário. Logo, faz-se necessário um olhar mais crítico de enfrentamento a esse problema.
Diante disso, conforme Immanuel Kant, o “Princípio da Ética” consiste em agir de forma que essa ação possa ser uma prática universal. Nesse sentido, se a inteligência artificial se aproveita de brechas em termos e contratos de privacidade, da ingenuidade do consumidor e viola a liberdade e a privacidade das informações - as quais são direitos fundamentais da humanidade - essa forma de usar a tecnologia não pode ser considerada ética pela definição do filósofo prusso. Dessa forma, gradativamente, a sociedade civil, negligente em relação a essa situação por sua pouca interferência cotidiana, tende a ter suas prerrogativas - fruto de movimentos filosóficos e sociais desde a Revolução Francesa - cerceadas. Assim, é imprescindível a dissolução das causas e efeitos dessa conjuntura.
Ademais, segundo Erwing Goffman, a “Mortificação do Eu” consiste na perda do pensamento individual e colaboração com uma massa coletiva, por influência de fatores coercitivos. Sob essa ótica, a aplicação desse tipo de inovação tecnológica por meio de grandes holdings de mídias sociais e governos autoritários concentra poder de coerção nas mãos de poucos, sujeitando toda uma massa de pessoas à definição do antropólogo canadense, subvertendo valores básicos de humanidade. Dessa maneira, as liberdades individuais podem sair do controle das pessoas que delas usufruem, como reflexo do surgimento de estruturas sociais repressivas e limitantes em relação à capacidade humana de criação. Consequentemente, é dever de toda a população lutar contra esse tipo de controle.
Em suma, são necessárias medidas eficazes na atenuação desse imbróglio. Nessa conjuntura, a fim de tornar a sociedade brasileira mais crítica e vigilante acerca da violação de seus direitos fundamentais, é dever do MEC (Ministério da Educação), em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, promover nas instituições de ensino a liberdade e a diversidade humana, a partir da ampliação da carga horária de atividades que valorizem essa característica, como mais aulas regulares e de temáticas variáveis de artes e educação física, por exemplo, com alteração na BNCC (Base Nacional Curricular Comum). Somente assim, será possível fazer do Brasil um país onde as prerrogativas universais são respeitadas por serem parte intrínseca de seu povo.