Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 18/06/2021

O filme ‘‘Matrix’’, lançado em 1999, retrata um mundo controlado pelo computador, o qual foi declarado uma guerra contra a humanindade após a criação da inteligência artificial. Sob tal ótica, embora o longa seja considerado uma distopia, fora da ficção, há traços semelhantes, já que é uma tecnologia muito presente na contemporaneidade e reflete os impasses éticos e morais do uso dessa ferramenta. Nesse contexto, faz-se pertinente analisar por que a utilização de robôs compromete a dignidade do indivíduo, assim como ameaça a existência humana.

De início, é válido ressaltar que a aplicação de inteligência artificial (I.A) interfere na dignidade das pessoas, por substituí-las na mão de obra. Isso ocorre porque, como esse sistema é ágil e capaz de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, as empresas, infelizmente, preferem trabalhar excessivamente com os robôs, de modo a ultrapassar a ética e moral do uso, tendo em vista o desemprego causado pela tecnologia imposta, desvalorizando o trabalho humano e, assim, a nação.  Nesse viés, a Revolução Industrial corrobora a ideia pois, no século XVIII, começou a aderir as máquinas nas fábricas, as quais lideraram os serviços e as demissões dos funcionários, em que, analogamente, reflete os dias atuais pertubados pela falta de limite da I.A.

Simultaneamente, a inteligência artificial também põe em risco a humanidade, em razão de não ter um controle realmente definido. Isso transcorre porque os robôs têm uma capacidade superior a humana, devido a alta tecnologia empregada, o que faz com que os criadores não consigam saber o limite dessa ferramenta, e coloca em pauta a ética de um sistema incerto quanto ao futuro e suas possíveis configurações, de modo a representar, verdadeiramente, um perigo. Nessa conjuntura, o cientista Stephen Hawking, fortalece a tese ao abordar em uma entrevista para a BBC que criar máquinas pensantes é uma ameaça a existência de todos, logo, fica evidente o impasse ético e moral causado por essa ‘‘arma’’ digital.

Portanto, é notória a necessidade de repensar os dilemas da I.A na sociedade. Para isso, cabe as indústrias, como potenciadoras do problema, manter o equilíbrio entre o uso da tecnologia avançada e os funcionários, por meio da ação em conjunto das duas esferas: humana e robótica, com o intuito de frear o desemprego ocasionado pela I.A e, assim, perpetuar a dignidade dos indivíduos. Por sua vez, o Ministério da Ciência e Tecnologia, por ser engarregado de conferir o sistema, deve investir em estudos sobre a inteligência artificial, por meio da contratação de pesquisadores especializados e autorizar a verba para custear os estudos, a fim de obter um controle maior dessa ferramenta tão indefinida e, dessa forma, evitar que a distopia de ‘‘Matrix’’ se torne uma realidade.