Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 22/06/2021

O empresário Steve Jobs afirmava que “A tecnologia move o mundo”. Nessa perspectiva, é relevante ressaltar as inúmeras novidades e facilidades proporcionadas pelo campo tecnológico. No entanto, com um crescimento rápido e desordenado, é necessário refletir sobre alguns impasses acarretados por essas inovações, os quais afetam questões éticas e morais, tais como, o uso inapropriado da Inteligência Artificial(IA) nas decisões judiciais e a manipulação de dados privativos do indivíduo.

Primeiramente, vale destacar que a IA aplicada na justiça, demonstrou grandes distorções. A priori, um sistema operacional criado para prever um futuro criminoso, acabou se transformando  em um método discriminatório, prova disso, são as análises comparativas da ProPublica -Agência de Jornalismo Investigativo-, as comparações mostraram que o programa tende a apontar erroneamente réus negros como futuros criminosos, colocando-os na categoria de possíveis reincidentes quase duas vezes mais do que os réus brancos. Nesse contexto, é necessário reavaliar os métodos desse sistema, pois, mesmo com um objetivo útil, infelizmente não assegura confiabilidade, além de apresentar equívocos feridores da ética e moral do cidadão.

Por conseguinte, a IA envolve um processamento complexo que demanda uma grande quantidade de dados para sua eficácia. Por isso, o funcionamento adequado destes sistemas, pressiona por uma coleta crescente de informações, por meio de sites e links pode ocorrer diversas coletas de dados de forma implícita, ou seja, sem que o usuário perceba. Logo, faz-se necessária execução das leis de proteção de dados, pois além de invadir a privacidade do indíviduo, também influencia de diversas formas o comportamento do usuário, cenário bem representado pela famosa série “Black Mirror”.

Depreende-se, dessa forma, a urgência de ações interventivas para solucionar os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Informações deve investir na criação de projetos que fiscalizem empresas usuárias da IA em território nacional, criando grupos capacitados dentro do Ministério para supervisionar essas instituições, visando a eficácia e transparência das novas tecnologias inseridas no país. Ademais, cabe ao Governo Federal assegurar a  Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), para que o cidadão possa usufruir dos meios tecnológicos sem o risco de invasões dos seus dados  pessoais. Desse modo, a inteligência artificial será inserida de maneira organizada e respeitando os princípios éticos e morais.