Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 21/06/2021
Isaac Asimov, conhecido como o pai da robótica, em seu livro “Eu, Robô”, retrata contos de um futuro pouco distante, onde a Inteligência Artificial (IA) é utilizada de modo a otimizar as tarefas antes destinadas à humanos. De maneira análoga a ficção, na realidade essas tecnologias estão mudando vida cotidiana de toda a sociedade. No entanto, com o crescente aumento dessas ferramentas surge o debate sobre os impasses éticos e morais do uso da IA, principalmente em relação ao controle de privacidade e manipulação de dados dos indivíduos, além da falta de entendimento dos usuários a respeito desses impasses.
A priori, um dos impasses éticos e morais de inteligência artificial permeia o campo da privacidade de dados dos indivíduos. Nesse contexto, no documentário “Dilema das redes sociais” Tristan Harris, um ex-engenheiro do Google, descreve ferramentas que seriam criadas para manter usuários “vidrados” e “distraídos” enquanto anunciantes ganham dinheiro, pois quanto mais conectados a seus perfis são expostos a anúncios. Isso se deve, sobretudo, aos dados que são recolhidos e organizados por algoritmos, as informações sobre os usuários são então oferecidas a clientes – empresas e universidades a políticos – que pagam. Dessa forma, essas empresas por meio desses bancos de dados constroem um universo cultural personalizado a predileção do consumidor com produtos customizados, o que ocasiona na manipulação do comportamento das pessoas incitando o consumo.
Ademais, os indivíduos não enxergam os impasses éticos e morais provocados pela IA, visto que a falta dessa visão está alicerçada na ausência de um olhar crítico sobre a realidade decorrente de uma educação deficitária existente no Brasil. Nessa temática, segundo o pedagogo Paulo Freire, a educação libertadora, ao contrário da “bancária” que apenas depositas saberes, forma indivíduos conscientes capazes de analisar e interpretar com criticidade o mundo. Dessa maneira, no país devido ao sistema de ensino precário que transformam os alunos em grandes “depósitos”, eles são incapazes de tomarem consciência sobre os efeitos ocasionados pela inteligência, como os prejuízos para saúde, à superficialidade das relações sociais.
É perceptível, portanto, os impasses éticos e morais do uso da IA. Dessa forma, é necessário o desenvolvimento, por parte Ministério da Tecnologia e Inovações, e das empresas de programas de proteção de dados do consumidor e a proibição por meio de leis da venda de tais informações, sujeito a pena e multa, com o objetivo de reduzir tal problemática. Ademais, o Ministério da Educação juntamente com a sociedade, têm que promover campanhas na televisão, em horários nobre, nas redes sociais, sobres os impasses do uso de IA, e nas escolas também, a fim de conscientizar a população.