Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 21/06/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, esse universo ficcional contrapõe-se à realidade, já que os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial se revelaram um obstáculo que impede a concretização dos planos de More. Esse óbice é fruto tanto da indiferença das empresas privadas para com a substituição dos funcionários por máquinas, quanto da negligência do Estado em relação à escassez de leis que assegurem a segurança de dados pessoais online.
A priori, é fulcral expor que no filme norte-americano “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, o pai de Charlie, o protagonista, é demitido da fábrica onde trabalhava para ser substituído por uma máquina e, por causa disso, a situação financeira de sua família piora drasticamente. Consoante a isso, é o que tem acontecido no Brasil hodierno, uma vez que boa parte das empresas privadas que têm buscado se modernizar, vêm optando por demitir seus funcionários, principalmente os menos qualificados, a fim de substituí-los por máquinas de Inteligência Artificial (IA). Essa problemática reflete um dos maiores impasses éticos e morais do uso das IA’s, pois os empregadores não se preocupam em garantir ajuda econômica aos funcionários ou realocá-los em outro cargo, o que, a longo prazo, desencadeia um aumento da desigualdade social e um aumento do número de desempregados no país.
A posteriori, é fundamental destacar que no episódio “USS Calister”, da série britânica “Black Mirror”, o protagonista Jesse, rouba amostras de DNA de alguns companheiros de escritório a fim de usá-las em seu jogo de realidade virtual, onde os tortura física e psicologicamente, mas não é punido por isso. Semelhante a isso, são os impasses éticos e morais relacionados ao uso de Inteligências Artificiais na atualidade brasileira, os quais são agravados pela negligência do Estado quanto ao desenvolvimento e aplicação de leis voltadas para a proteção de dados particulares no meio virtual. Dessa forma, vazamentos de fotos e vídeos íntimos e informações privadas têm sido constantes atualmente e poucas são as leis que protegem as vítimas ou que deem a devida punição aos criminosos.
Portanto, é preciso que os impasses éticos e morais do uso de inteligência artificial sejam resolvidos. Para isso, é necessário que o Ministério do Trabalho estabeleça leis mais justas e severas quanto à substituição de pessoas por máquinas nos ambientes laborais, as quais devem exigir que o trabalhador deve ser posto em outro cargo que lhe pague o mesmo salário e dê-lhes treinamentos necessários para se adaptarem. Outrossim, é fundamental que o governo desenvolva uma legislação mais eficaz quanto aos crimes cibernéticos e vazamento de dados pessoais por qualquer indivíduo que faça mal uso das Inteligências artificiais. Isso deve ser feito com a finalidade de tornar real a Utopia de More.