Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 18/06/2021

A artificialidade asfixia

“Asfixia” é um ensaio, escrito pelo filósofo Franco Berardi, que discorre sobre a falta de ar psicológica sofrida pela população do século XXI, causada pelo desenvolvimento compulsório da tecnologia. Nesse sentido, é possível afirmar que os meios virtuais de comunicação em massa “sufocam” os indivíduos contemporâneos. Logo, é necessário evidenciar os impasses éticos e  do uso de Inteligências Artificiais (IA) utilizadas na internet: o infringimento da democracia e da privacidade individual.

É válido pontuar, de início, o uso da Inteligência Artificial contra a democracia, por meio da utilização da informação como ferramenta de controle do pensamento crítico. Isso porque as atividades midiáticas fornecem fatos, conhecimentos e informações que ajudam a moldar a opinião dos indivíduos. Porém, com a atuação da IA no meio virtual, a alienação da população se torna mais propensa por conta dessa ferramenta, haja vista que, na tentativa de filtrar os interesses do internauta, acaba por restringir suas fontes de informação. Dessa forma, é evidente que tal fato se enquadra na máxima do sociólogo Pierre Bourdieu, a qual afirma: aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não pode ser convertido em mecanismo de opressão. Ou seja, a internet, feita para democratizar o acesso a informação, não pode se tornar um exemplo de “asfixia” da criticidade.

Outrossim, a falsa ideia de liberdade e, principalmente, privacidade, na internet é um fenômeno de um teor extremamente antiético. Não à toa, pois diversos indivíduos vêem o meio virtual como uma válvula de escape para os problemas enfrentados no dia a dia. No entanto, a IA utiliza dessa falsa sensação de privacidade para coletar dados e interesses dos usuários em favorecimento de grandes empresas, já que, com essas informações, tais instituições conseguem utilizar ferramentas - como propagandas, e-mails e mensagens - para atrair os internautas à compra e “asfixiá-los” com produtos. Desse modo, é nítido que esse fenômeno é um exemplo da “Liberdade Ilusória”, teoria formulada pelo teórico Zygmunt Bauman, a qual disserta sobre a ilusão das pessoas em relação à sua privacidade nos meios virtuais, pois estão sendo vigiadas em benefício dos governos e, principalmente, dos grandes empresários.

À luz dessas considerações, são explícitas as relações contra a ética e a moral causadas pela IA. Portanto, urge que o Ministério da Educação - com auxílio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - reformule a grade curricular, por meio da inserção a matéria de Informática como obrigatória nas séries do Ensino Médio, com foco na utilização consciente da tecnologia e da internet, a fim de evitar a “asfixia” do pensamento crítico e o da privacidade individual, além de conscientizar e propor meios de estudo e pesquisa, melhorando o processo educativo da população contemporânea.