Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 22/06/2021
No filme “O Círculo”, Mae é uma funcionária de uma importante empresa tecnológica, a qual realiza um projeto que, com o uso de Inteligência Artificial (IA), suprime a privacidade dos sujeitos. Apesar de ser uma ficção, tal obra cinematográfica expõe os impasses éticos e morais do uso de IA na sociedade. Logo, é importante analisar os principais dilemas desse sistema na contemporaneidade, como os limites da automatização das ações humanas e a privação da liberdade e da privacidade dos cidadãos.
A priori, é necessário destacar que, com o advento da 4° Revolução Industrial, as inovações tecnológicas transformaram profundamente o cotidiano dos sujeitos, tornando-os mais dependentes desses dispositivos. Essa ideia fica clara ao se analisar o desenvolvimento de equipamentos movidos por Inteligência Artificial, como os carros autônomos, os quais são mais independentes e capazes de substituir o homem. Contudo, apesar de proporcionar benefícios, como a dinamicidade, o avanço e o uso excessivo de IA cria um impasse ético e moral sobre os limites da mecanização das ações humanas. Tal problemática ocorre, pois essa substituição, característica do desemprego estrutural, amplia a desigualdade, já que retira a fonte de renda da população carente e menos capacitada. Desse modo, percebe-se que a geração de modernos sistemas digitais, embora seja fundamental para o progresso, ao ser utilizada de forma inconsequente, gera impactos que não devem ser negligenciados.
Ademais, é válido ressaltar que o uso inadequado de Inteligência Artificial por parte das corporações representa outro importante impasse ético e moral. Tal concepção baseia-se na teoria do filósofo Foucault, o qual afirma que as instituições dominates utilizam seus mecanismos de poder para vigiar e moldar o comportamento dos sujeitos. Nessa perspectiva, nota-se que essa ideia reflete o atual cenário nacional, pois o desenvolvimento de sistemas movidos por IA, os quais dependem de grande aplicação de dados pessoais, permite que as empresas tenham acesso a informações particulares e que, muitas vezes, são utilizadas indevidamente. Nesse viés, além de perderem a privacidade, diversos cidadãos passam a ter uma falsa ideia de liberdade, visto que essas máquinas inteligêntes são capazes de traçar o perfil individual de cada usuário e, assim, “aprisioná-los” em “bolhas digitais” que exibem somente informações que favoreçam suas organizações, como o consumo de determinado produto.
Logo, para que o uso de IA seja consciente, as empresas devem diminuir as consequências da mecanização das ações humanas mediante cursos especializados para os funcionários mais carentes, a fim de reduzir as consequências da adoção desse sistema. Ademais, o Governo precisa combater o uso indevido dessa máquina, por meio de leis mais rígidas e investimentos na especialização de profissionais capazes de monitorar essa tecnologia, para que essas situações sejam superadas.