Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial

Enviada em 21/06/2021

Fruto das inovações do novo século, a inteligêcia artificial (AI) pode ser definida como o conjunto de atividades e decisões tomadas por máquinas baseada nas habilidades e conhecimentos humanos. Debatido em filmes como “O Exterminador do Futuro”, cujo enredo trata do caos instaurado no mundo devido à dominação dos robôs, o tema suscita discussões a respeito das questões éticas e morais sobre a utilização desse tipo de tecnologia. Nesse sentido, vale analisar dois dos impasses relacionados ao uso desses sistemas: a possibilidade de reproduzir preconceitos e erros humanos, bem como a falta de regras concretas para regulamentar sua prática.

Inicialmente, sabe-se que a programação digital, ao ser realizada por pessoas, abre margem para que falhas humanas se mostrem algoritmos. Assim, atitudes preconceituosas encrustadas na sociedade se manifestam na AI, como o racismo, machismo, e outros discursos repudiáveis, por meio da criação de programas que privilegiem, mesmo despretenciosamente, tendências mais “padronizadas”.Por exemplo, o concurso de beleza “beauty.ai”, que utilizou inteligência artificial para escolher o vencedor baseado em um conjunto de imagens, teve como resultado uma seleção final de 44 participantes, sendo apenas um negro, ainda que o número de inscritos estivesse proporcional quanto à etnicidade. Logo, devido a máquina reproduzir viéses já existentes no corpo social, a ideia de alcançar uma avaliação neutra aplicada nas mais diversas funções, sob essa ótica, apresenta limitações.

Outrossim, por serem áreas de pesquisa e aplicação recente, é visível que suas implicações vão além do que pode estar registrado em alguma constituição, não tendo, assim, uma concepção moralizante e única que, de fato, as limitem. Para o sociólogo brasileiro Clóvis de Barros,  “a vida é uma sequência de encontros inéditos com o mundo que não se deixa traduzir em fórmula de nenhuma espécie”, assim, sendo a inteligência artificial baseada em conhecimentos humanos, que variam no tempo e espaço, ela não encontra restrições concretas nas noções de certo e errado, por exemplo. Nesse sentido, a não unidade na sociedade dificulta a regularização da prática, e por fim, seu uso.

Portanto, os desafios encontrados na aplicabilidade da AI consistem na falta de éticas dos indivíduos e na falta de uma regulamentação eficiente. Nessa perspectiva, cabe às empresas criadoras dessa tecnologia abrangerem a base de dados por meio da inclusão de referências físicas e comportamentais mais diversificada para que se possa alcançar maior inclusão e aceitabilidade no público. Ademais, impera que o Ministério da Ciência e Tecnologia organize cúpulas que debatam as implicações e limites para o uso dessa indústria a fim de ser mais possível e aplicável. Desse modo, espera-se superar os impasses e evitar visões extremas  como as do filme “O Exterminador do Futuro”.