Os impasses éticos e morais do uso de Inteligência Artificial
Enviada em 19/06/2021
O documentário “The Great Hack”, lançado em 2019, relata como a empresa inglesa “Cambrigde Analytica” manipulava, virtualmente, informações individuais em massa. De maneira análoga, atualmente, é vista que devido ao desenvolvimento da tecnologia, alguns princípios morais acabam sendo negligenciados pelo uso antiético, principalmente, da inteligência artificial. A partir desse contexto, é válido analisar os empecilhos que esse tipo de tecnologia traz para a sociedade.
É imprescindível, primeiramente, destacar que a falta de controle das pessoas frente à tecnologia fomenta o problema em questão. Diante disso, sabe-se que em função da popularização do uso da inteligência artificial, torna-se mais fácil a coleta de dados pessoais e a sua alteração, visando beneficiar a empresa envolvida com a violação ética da vítima. Sob essa visão, o livro “1984”, do escritor George Orwell, relata como um dos personagens é responsável por corromper dados e repassar para a sociedade com o objetivo de moldar o pensamento desses em detrimento favorável ao governo. Assim, semelhante à visão do livro, o personagem de Orwell é comparado com a inteligência artificial, já que trabalha a favor das empresas e põe em debate a questão ética da utilização desse tipo de tecnologia.
Convém, ainda, pontuar que a grande inquietação dos debates éticos e morais acerca do execução dessa inovação é a substituição do homem pela máquina. Nesse sentido, ao analisar diferentes contextos históricos, percebe-se que a ascensão de determinadas tecnologias pode ser substituir o trabalho humano, visto que, a não imposição de limites tem tornado o cenário bastante preocupante, já que diversos âmbitos são afetados como, por exemplo, o desemprego. Prova disso, é a pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial, a qual mostra que até 2021 as revoluções tecnológica vão tirar 7 milhões de empregos.
Portanto, diante dos impasses éticos e morais do uso da inteligência artificial, faz-se necessário que o Ministério da Ciência e Tecnologa, esse por ter função de desenvolver o patrimônio científico e tecnológico, em parceria com o Ministério da Educação crie projetos que visem solucionar esses obstáculos que envolvem a inteligência artificial. Isso deverá ocorrer por meio de campanhas de esclarecimento popular acerca dessa nova ferramenta, a fim de que a sociedade atue com ética e moral nas discussões que circundam essa temática. Somente sob tal perspectiva, não haverá empresas semelhantes a “Cambrigde Analytica”.